Acabar com a corrupção é fácil

Uma associação de pessoas que se dedica a práticas ilegais é uma organização criminosa. Organizações criminosas não devem ter autorização do Estado para funcionar. Portanto, que se casse todos os mandatos e se suspenda o registro naquela unidade administrativa de qualquer partido que tiver eleito pelo menos um candidato que venha a ser condenado por qualquer crime de corrupção, desvio de verba, recebimento de propina, tráfico de influência, caixa 2, etc…

Não, não é uma “punição excessiva”. Não me venha com esse papo de defensor de bandido e da corrupção. Quem defende penas que não servem para coibir os ilícitos na prática está defendendo a prática dos ilícitos. E não estou falando de “penas maiores para bandidos cruéis”, não. Estou falando de quaisquer penas em quaisquer situações. Como a falta no futebol, por exemplo.

A falta no futebol praticamente não é um ilícito a evitar, virou uma estratégia de jogo. Se o time adversário está em uma boa situação para dar início a um ataque perigoso em que não é clara a chance de gol, pode valer a pena fazer uma falta e dar tempo para seu time recuar. Não precisa nem tentar partir a perna do centroavante, basta um empurrãozinho que desequilibra. É suficiente para o ilícito valer a pena.

Em outras situações, a falta não é uma boa opção. Dentro da grande área, por exemplo. Neste caso, a falta recebe um nome diferente, “pênalti”, e um pênalti é uma punição bem mais eficaz para coibir o comportamento ilícito. Adivinhe o que aconteceria se toda falta fosse pênalti, independentemente de ser feita dentro ou fora da grande área? Quase não haveria faltas.

A corrupção hoje é punida como a falta, se é que é punida. A punição não é eficaz para coibir o ilícito. O candidato pode até perder os direitos políticos por oito anos, mas todo partido tem muitos outros corruptos para substituir o condenado e continua tendo muitos incentivos para praticar os mais variados ilícitos. É como se o sujeito que cometeu a falta dentro da grande área simplesmente tivesse que ser substituído, sem que o pênalti fosse marcado. Pode até ser benéfico para a equipe dele.

Para que a punição à corrupção seja eficaz e coíba de fato os ilícitos, o partido não pode ficar impune. E tem que sofrer uma punição pesada, que o prejudique muito no “campeonato”, para que nem sequer pense na possibilidade de praticar ou ser tolerante com a corrupção. É o partido que tem que fiscalizar furiosamente a licitude de todas as suas atividades, não o Estado.

Quando o time cai para a segunda divisão ou o partido fica suspenso e impedido de concorrer por uma única eleição que seja, perdendo todas as vagas na unidade administrativa em questão (município, estado ou união), cada vereador, cada deputado, cada senador, cada prefeito, cada governador, cada assessor parlamentar, cada secretário ou presidente de autarquia ou fundação, cada funcionário, cada cri-cri de diretório e cada filiado realmente interessado se torna um fiscal em potencial. Com uma fiscalização assim não dá para arriscar.

Digamos que o PQP tenha eleito o prefeito e cinco dos nove vereadores do município de Pindoramópolis. Seis meses depois, o vereador Zé da Pinga espinafra sua secretária e é denunciado por um esquema de venda subfaturada de cachaça para financiamento do caixa 2 de sua campanha eleitoral. As acusações são corroboradas pelos bêbados da cidade, o Ministério Público investiga, denuncia, o vereador Zé da Pinga é condenado por corrupção. Recorre, é condenado de novo em segunda instância. Tudo isso em menos de um ano, claro, afinal o Judiciário tem que ser ágil, porque a justiça falha porque tarda. E agora?

Agora o Zé da Pinga, o prefeito e os outros quatro vereadores têm seus mandatos cassados, o Zé da Pinga tem seus direitos políticos suspensos por oito anos a contar do final de seu mandato e devido à condenação do Zé da Pinga por corrupção o PQP tem seu registro suspenso em Pindoramópolis do momento da condenação até dois anos e meio após a próxima eleição municipal, o que significa que não elegerá ninguém nem poderá se reorganizar legalmente naquele município neste prazo. Isso e multa, claro.

Não proponho a extensão penal da condenação por corrupção aos demais filiados, apenas a eleitoral. Perceba que não proponho a suspensão dos direitos políticos dos outros eleitos. O jogador de futebol que comete uma falta maldosa dentro da grande área é expulso, seu time é punido com o pênalti, mas ninguém propõe dar cartão vermelho para os demais jogadores. Depois que eles levarem o gol, perderem o jogo e caírem para a segunda divisão, podem até voltar se jogarem bem.

No caso dos partidos políticos, “jogar bem” tem que ser definido tanto pela habilidade política quanto pela licitude de suas atividades. A reincidência no mesmo ilícito ou em qualquer outra forma de corrupção deve punir o partido com maior intensidade do que a primeira infração. Por exemplo, a multa pode dobrar a cada reincidência e o registro pode ser suspenso na instância imediatamente superior (no estado, se a condenação foi de um vereador ou prefeito; na união, se a condenação foi de um deputado estadual ou governador) caso a multa não seja paga até as próximas eleições.

Agora escreva para seu deputado federal ou senador sugerindo isso e observe pela reação dele se ele quer ou não combater a corrupção, moralizar a política, punir os criminosos e abrir caminho para que os honestos dominem a política daqui em diante. Só não se decepcione se ele não responder, ou se disser que sua proposta constitui uma “punição excessiva”… 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/12/2016

Metatolerância: teoria e prática

Metatolerância é o exercício coerente e consequente da tolerância para com a tolerância e da intolerância para com a intolerância, em busca de um mundo mais tolerante, saudável e harmônico. Sua prática requer discernimento, coragem e honestidade intelectual, mas sobretudo firmeza e implacabilidade, porque os intolerantes as possuem de sobra e os tolerantes não as possuem em suficiência.

METATOLERÂNCIA

Desde quando formulei o conceito de metatolerância, eu sabia que ele era simples, mas não era fácil. Custei para perceber o motivo, porém. Foram necessários cerca de 28 meses para que eu me desse conta de que para um intolerante é fácil fingir tolerância para com os tolerantes até o momento em que estrategicamente lhe seja benéfico abandonar o fingimento, mas para um tolerante é muito difícil exercer a intolerância contra os intolerantes a qualquer momento. Nos dois últimos dias, entretanto, caiu a ficha. Contarei o que houve. 

Anteontem um amigo (agora ex-amigo) teve um surto de estupidez fascista no Facebook. Estava lá vociferando que manifestações pacíficas eram inúteis para modificar o status quo, que era necessário apelar para a desestabilização e até para a violência, etc. Quando eu vi aquilo, dito de maneira histérica e ridícula, eu caí na risada e entrei na discussão para zoar com o sujeito. Não me incomodei em nada, porque não tinha o menor respeito pelas bobagens que ele estava dizendo.

Ontem, depois de ele me ofender, me ameaçar de espancamento, empalamento em praça pública e sei lá mais o que, eu percebi que tudo aquilo era realmente a sério – ou, se não era, a brincadeira estava longe demais. A discussão desde sempre foi uma baixaria, com troca de ofensas de ambos os lados, mas até então eu estava levando na brincadeira e achando graça. Afinal, tudo o que ele dizia era tão estapafúrdio, tão cheio de clichês esquerdistas abjetos e absurdos, que eu não tinha como levar a sério. Para mim era só uma guerra de torta. Naquele momento, entretanto, eu percebi que tinha tomado a intolerância dele por deboche, caiu a ficha do quanto ele estava perturbado e avisei o sujeito: “cara, tu estás doente”. Obviamente, foi inútil.

Hoje a coisa continuou e o cara continuou a lançar ataques pessoais. Eu respondi mantendo o foco na situação do Brasil, que foi roubado e falido pelo partido dele. Citei as condenações por corrupção e as imensas cifras já recuperadas, coisa que seria impossível caso não tivesse havido a corrupção e o roubo. A resposta dele invariavelmente foi me chamar de coxinha, idiota, palhaço, dizer que amigos meus falam de mim pelas costas (defeito meu ou deles?), que eu não entendo nada de antropologia, sociologia e história (leitores antigos rindo neste momento) e que Stalin matou foi pouco.

Block neste momento.

Não, eu não fiquei irritado. Eu perdi a última gota de respeito que ainda tinha pelo sujeito.

O interessante é que também na tarde de hoje já havia acontecido outro episódio em que eu bloqueei alguém com quem estava discutindo sobre política na página de um amigo em comum. Sabem aquele sujeito que, desde o primeiro momento em que a gente lê, a gente percebe que vai ter que aturar um chato de galochas com blá-blá-blá pernóstico, pedante, citando pensadores como se fossem autoridade científica e nos acusando de falácia ao mesmo tempo? Pois bem, eu respirei fundo e encarei. O problema é que a cada postagem ele lançava uma farpa pessoal. E, lá pelas tantas, o cara me chamou de comunista.

Block neste momento.

Não, eu não fiquei irritado. Eu perdi a última gota de respeito que ainda tinha pelo sujeito.

Foi a partir deste duplo bloqueio de hoje que eu percebi qual é a maior dificuldade do exercício da metatolerância: para uma pessoa tolerante e com convicções éticas, é muito difícil ser devidamente intolerante com os intolerantes porque guardamos respeito por todo ser humano até um limite que ultrapassa muito o razoável. O sujeito mostra uma vez que é intolerante, a gente releva. O sujeito mostra duas vezes que é intolerante, a gente releva. O sujeito mostra dez vezes que é intolerante, a gente releva. Na centésima vez que o sujeito mostra que é intolerante, finalmente a ficha cai, a gente não releva, reage… E o intolerante nos acusa de intolerância! E nós nos sentimos mal por isso!

A chave do exercício da metatolerância é perder o respeito por quem mostra que não merece respeito.

Uma vez que eu perdi o respeito por ambos estes interlocutores, um intolerante de esquerda e um intolerante de direita, eu simplesmente não senti qualquer constrangimento por bloquear os dois sem avisar ou sem dar qualquer explicação. No caso do que eu não conhecia, eu não tive paciência para explicar nada. No caso do que era meu amigo, eu até pensei em escrever algo, eu até esperei alguns segundos porque ele estava escrevendo alguma coisa, mas logo me dei conta de que seria bobagem. Seria fraqueza. Eu estaria me preocupando com os sentimentos de alguém que já havia ameaçado me agredir e que dizia que eu tinha que ser empalado em praça pública. Ridículo. Gente como estes dois caras não merece nem minha compaixão, nem minha raiva, só merece meu desprezo. E foi isso que eu dei a eles, deletando-os do meu universo sem remorso.

O engraçado ou tragicômico nisso tudo é que eu vivo aconselhando que “quando uma pessoa te mostrar aquilo que ela realmente é, acredita logo na primeira vez”, mas tenho uma certa dificuldade para fazer isso de primeira, muito por medo de haver algum mal entendido. Isso e um certo sentimentalismo têm feito com que eu seja tolerante demais com os intolerantes, o que não é bom. Tolerar os intolerantes os fortalece, permite por mais tempo que eles espalhem seu veneno, gerem mal estar e promovam o embrutecimento de que gostam e no qual prosperam.

Pelo bem tanto de nossa saúde emocional como de nossa segurança social, precisamos ser mais metatolerantes: tolerar os tolerantes e não tolerar os intolerantes. Mesmo. E isso fica muito mais fácil quando entendemos que perder o respeito por alguém não significa que temos que desrespeitar este alguém e sim que não temos que respeitar este alguém. Por exemplo, deletando a pessoa de nosso universo, para que não tenhamos que lidar com sua toxicidade, ou seu vampirismo emocional. Por exemplo, não nos preocupando com o que ela pode dizer de nós após a deletarmos de nossa vida. Por exemplo, sendo mais saudável e mais feliz na total ausência dela, ou mesmo de sua lembrança.

A partir de hoje, estarei bem mais tranquilo e à vontade para ser implacável no exercício da metatolerância.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 08/12/2016

Cláusula de barreira: atentado contra a democracia

Toda vez que se fala no número de partidos políticos e na existência de legendas de aluguel o tema “cláusula de barreira” volta ao debate. É uma solução fascista para tentar coibir a venda de espaço no rádio e na TV por legendas que são criadas somente para este fim ou para arrecadar dinheiro do fundo partidário. Mas a solução correta nunca é fascista.

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A solução correta para essa questão passa por três medidas.

Primeira, a extinção do fundo partidário e a proibição das doações feitas por não-filiados! Partido político não tem que ser financiado por quem não é filiado nele. Nem o não-filiado tungado por impostos para pagar por coisas nas quais não acredita, nem o não-filiado que “acredita” na causa o suficiente para dar dinheiro mas não para associar seu nome à legenda.

Segunda, o parlamentarismo! No presidencialismo, primeiro o chefe de governo se elege, depois sai correndo atrás das legendas mendigando apoio para conseguir governar, sendo chantageado e obrigado a distribuir cargos e ceder em inúmeras questões administrativas. No parlamentarismo, primeiro as legendas precisam compor uma maioria estável, depois elegem o chefe de governo de comum acordo e se responsabilizam pela qualidade de seu governo, sendo governo e maioria duramente fiscalizados pela minoria. Isso exige responsabilidade dos partidos políticos e elimina outras moedas de troca que não o apoio parlamentar efetivo e explícito, ajudando a tornar o sistema transparente.

Terceira, o voto facultativo! É um absurdo obrigar a votar quem não quer votar e nem sabe o que está fazendo ao votar. Um eleitor só deve ir às urnas se tiver convicção de que o seu voto vale o esforço de se deslocar até uma seção eleitoral para ajudar a contribuir com a escolha dos destinos do país. Isso exige dos partidos a formação de uma identidade clara e a busca do convencimento real dos eleitores, ou eles simplesmente não conferem representatividade ou legitimidade às legendas.

São medidas viáveis e que não dependem de alterações de cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988. Partidos auto-financiados, sem moedas de troca espúrias para corromper o jogo político, fortalecidos pela responsabilidade de sustentar o governo ou exercer oposição de fato. Com um sistema assim, o país pode ter tantos partidos quantos surgirem – a democracia sempre sairá ganhando.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/09/2016

 

Uma coisa é pensar diferente, outra coisa é defender práticas criminosas

Os “esquerdinhas paz e amor” são um bando de estúpidos. Podem ser honestos, podem ser bem intencionados, mas na prática defendem uma ideologia criminosa que gera depravação moral, mediocridade cultural, falência econômica e autoritarismo político onde quer que assuma o controle. São, portanto, inimigos da paz, da justiça, da prosperidade e do bem estar humano, não importa que pensem que não são. 

Todo mundo mente - o PT é inocente

Eu escrevi o parágrafo acima no Facebook. Como era previsível, um dos meus amigos “esquerdinha paz e amor” veio dizer bobagem logo abaixo. Literalmente ele disse o seguinte:

“Quem pensa diferente de mim é bandido”
Cara, vira o disco. Aprende a argumentar decentemente.

Para quem ainda é ingênuo o suficiente para não perceber o que está por trás disso, eu esclareço: isso é idêntico ao Bandido da Luz Vermelha dizer para você “quem pensa diferente de mim é bandido”. Você daria atenção ao Bandido da Luz Vermelha defendendo sua posição com este argumento? Óbvio que não, certo? Então, por que raios você dá atenção aos Bandidos das Bandeiras Vermelhas quando eles defendem seus crimes exatamente desta maneira?

O argumento decente contra o Bandido da Luz Vermelha e os Bandidos das Bandeiras Vermelhas é exatamente o mesmo: cadeia. Você não dá credibilidade a quem defende abertamente a legalização do homicídio porque eles dizem que “pensam diferente”. Você não dá credibilidade a quem defende a implantação de ditaduras sanguinárias porque eles dizem que “pensam diferente”. Por que raios você dá credibilidade a quem defende a legalização e a implantação de tudo o que é imoral, indecente, desumano, maldoso e criminoso só porque eles dizem que “pensam diferente”?

Qual é o seu problema para entender que tudo o que a esquerda defende é pernicioso e sempre que foi implantado destruiu os ambientes em que foi implantado, causando depravação moral, mediocridade cultural, falência econômica e autoritarismo político, em qualquer momento da história desde a Revolução Francesa?

Veja o caso do PT.

Os amigos do PT e defensores da mesma ideologia são Cuba, que até pouco tempo atrás matava por fuzilamento quem pensava diferente ou tentava sair da ilha para não ser escravizado pelo governo “democrático” do esquerdista Fidel Castro; Venezuela, que está em crise humanitária por desabastecimento de comida e colapso econômico total devido ao governo “democrático” do esquerdista Nicolas Maduro; Coréia do Norte, onde há relatos de terríveis violações humanitárias, inclusive de canibalismo devido à fome extrema promovida pelo governo democrático do esquerdista Kim Jong-un, este copiosamente elogiado pelo PC do B, partido aliado do PT; Líbia, que foi dominada por quatro décadas pelo ditador esquerdista Muamar Kadafi, aquele que mantinha meninos e meninas como escravos sexuais e que Lula chamou de “meu amigo, meu irmão e meu líder”; e o Estado Islâmico, que degola inocentes em frente às câmeras de TV para fazer propaganda da Jihad e que Dilma disse que precisava ser tratado com “diálogo e diplomacia”.

E, quando o PT governou este país, implantou uma cultura abjeta de coitadismo, em que o maior mérito de uma pessoa é ser um “oprimido” incapaz e pedinte do governo, lançou o país na pior crise econômica de sua história, com anos seguidos de recessão, desemprego, quebradeira de empresas e até de cidades inteiras, conflitos por todos os lados, roubalheira desenfreada e autoritarismo intolerante com deboche e escárnio sobre as vítimas, acusadas de “não quererem perder seus privilégios” quando na verdade estavam sendo roubadas e humilhadas por um bando de ladrões e canalhas.

Qual é a sua dificuldade para entender que o PT é uma quadrilha criminosa? E que seus membros e seus aliados também são todos criminosos?

Qual é a sua dificuldade para entender que qualquer um que apoie quem apoia tudo isso ou é criminoso também ou é completamente estúpido e incapaz de fazer uma leitura minimamente realista, racional e ética da realidade?

A este ponto da história do país, se você ainda apoia o PT, se você ainda fala em “golpe”, se você ainda credita à “direita” os males pelos quais passa o Brasil e a crise moral, cultural, política e econômica que atravessamos, lamento muito, mas você ou é um criminoso, ou é um estúpido.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 06/09/2016

Demitido por questionar ideologia esquerdista no Facebook

Segundo a Zero Hora: “O ilustrador Allan Goldman, que já desenhou histórias do Superman para a DC Comics, foi afastado da Chiaroscuro Studios, estúdio através do qual prestava serviços para editoras norte-americanas, após publicar um comentário sobre a jovem de 16 anos que foi estuprada no Rio de Janeiro em sua página pessoal no Facebook. No post, o ilustrador questionava a possibilidade da aplicação do que chamou “ideologia de gênero” no caso.

2002-2007 Dionisio Codama Sao Paulo, Brasil http://aimore.net http://aimore.org

O que o cara disse foi exatamente o seguinte:

“O que acontece se os 30 estupradores da menina alegaram que são mulheres?

Segundo a ideologia de gênero dos esquerdistas, uma pessoa é o que sente, e sua biologia não importa. A sociedade é obrigada a aceitar essa decisão, senão é fascismo!

Como a justiça irá julgar o caso de uma mulher que foi violentada por 30 outras mulheres?” 

Ou seja: o cara não falou que houve ou que não houve um estupro, não duvidou da palavra da vítima, não disse que a vítima é culpada pelo estupro, na verdade ele nem sequer falou do estupro!

O que ele fez foi, no contexto da discussão deste caso, questionar a ideologia de gênero da esquerda e dizer que seria um absurdo se os trinta estupradores se declarassem mulheres. Foi por isso que ele foi demitido.

Obviamente, a nota que os esquerdistas lançaram no Facebook para justificar a demissão do artista fez parecer que o sujeito estava atacando as mulheres, banalizando a violência, dando suporte à “cultura de estupro” e negando outros blá-blá-blás esquerdistas: 

“Aos nossos fãs e amigos,

O mais recente caso de violência contra a mulher nos encheu de tristeza e indignação.

Cabe a nós defender, valorizar e apoiar as mulheres, a comunidade LGBT e todas as minorias e causas que representam uma luta pela justiça, liberdade e igualdade, que entendemos como questões que são mais profundas que a simples polarização política.

A apologia e banalização da violência e da discriminação não cabem mais na sociedade e tampouco em nossa empresa.

Por esse motivo e à luz dos recentes acontecimentos que acabam de chegar ao nosso conhecimento, decidimos encerrar o relacionamento com artistas não alinhados com valores que, para nós, são absolutamente inegociáveis.

#NãoÀCulturaDoEstupro e que nossa sociedade seja cada vez mais justa, igualitária e inclusiva.

Direção e artistas da Chiaroscuro Studios”

O que tem essa a nota a ver com o que o artista demitido disse? NADA.

Ele questionou a ideologia de gênero.

A editora falou claramente que decidiu demitir os artistas não alinhados com sua ideologia.

O que fica absolutamente evidente pela leitura da declaração do Allan Goldman e da nota da Chiaroscuro Studios é que a verdadeira razão da demissão foi, sim, “a simples polarização política”. 

Este artigo foi escrito para deixar isso bem claro: a esquerda não somente tem o menor problema de demitir uma pessoa e deixá-la sem sustento apenas porque ela discorda das ideologias da esquerda como considera isso uma justificativa tão aceitável que manifesta publicamente esta posição. E, obviamente, centenas de esquerdistas comentaram a nota da editora dando seu apoio.

Eis alguns exemplos de comentários de internautas:

“Ninguém censurou nada, bando de bolsomínion lixo. A empresa é privada e ela contrata quem ela quiser, engulam o choro.”

“Parabéns a Chiaroscuro! liberdade de expressão não é liberdade de ofensa e de racismo, machismo e homofobia. Não confundam. O Brasil foi o último país a acabar com a escravidão, a aprovar o casamento gay, a aprovar o divórcio. E os mesmos que ontem reivindicavam o direito de escravizar homens, de estuprar mulheres e de punir homossexuais hoje reivindicam a liberdade de expressão como se fosse liberdade de fazer o que der na telha. O século XXI chegou! já era hora! Seja muito bem-vindo!”

“Gostaria de dizer que essa decisão foi muito sóbria da parte de vocês. Espero que essa postura sirva como exemplo para pessoas que, como esse rapaz, não se dão conta de que esse tipo de comentário e postura compactua sim com uma cultura que mata muitas pessoas ainda hoje. Sendo assim, fico feliz em ver que se posicionaram a favor da inclusão e igualdade, e contra a toda essa violência. Muito bom!”

“Parabens à empresa. Existem coisas com as quais não da mesmo para ter tolerância. Liberdade de expressão só vai até onde começam a estuprar, matar, humilhar.”

“Parabéns! Importantíssimo lutar contra a cultura do estupro.”

“Parabéns! Vcs arrasaram na decisão!!!!!”

“Parabéns!Ganharam um admirador!”

“Apoio incondicionalmente a decisão de vocês! Nem super herói suporta fascistas. Aliás, eles lutam contra fascistas!”

“Parabéns pela posição contundente e pela decisão corajosa! Machista, facistas, não passarão!!!”

Para os esquerdistas, ideologia é motivo justo e suficiente para demissão. 

Muito obrigado por me ensinarem isso tão claramente, esquerdistas. Eu gostei especialmente daquela que disse “Ninguém censurou nada, bando de bolsomínion lixo. A empresa é privada e ela contrata quem ela quiser, engulam o choro.” Vou me lembrar disso quando abrir minha empresa. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 29/05/2016 

O que o brasileiro quer?

Meu amigo Mauro Camargo acha que o povo brasileiro quer cidadania e respeito. Eu digo que o povo brasileiro quer alguém que o coloque na coleira, que o deixe preso no canil para que não se meta em encrenca mas que o leve para passear de vez em quando e que lhe dê casa, comida e um cafuné atrás da orelha. Tendo isso, ele dá a patinha e abana o rabinho, bem feliz. 

Canil Brasil

O Mauro disse isso aqui no artigo dele: 

“Veio a revolução do silêncio, manifestada em silêncio, nos 30% de inválidos do TSE (postado em 01/11/2010). O silêncio foi quebrado em junho de 2013 e a revolução ganhou as ruas e noticiários, obviamente. Alimentou a mídia e chamou a atenção para o fato de que uma parcela significativa da população estava descontente.” 

(…)

Mas, o que estes 30% de inválidos do TSE querem? O que esta população que foi às ruas nos movimentos de junho/13 quer? Querem mais decência e, consequentemente, menos mentiras por parte dos governos, em todas as suas esferas. Querem cidadania e tudo o que esta palavra significa. Querem respeito.” (Mauro) 

Fonte: A revolução do silêncio, Marina e a nova política… era disso que eu estava falando!!! 

Eu não vejo assim, Mauro. Para mim, tudo que os integrantes dessa turba toda querem é um salvador. Alguém que lhes tire a responsabilidade sobre os rumos do país e das vidas deles e a assuma sobre seus próprios ombros. E que lhes traga as benesses de uma vida de sucesso sem que eles tenham que fazer nada para merecer isso a não ser “serem quem são”. Igual a uma criança que ganha mesada dos pais pelo simples fato de ser filha deles.

Na política isso se chama “paternalismo” exatamente por este motivo. E é exatamente por isso que o Brasil vive cheio de vale-gás, vale-leite, vale-ônibus, vale-futebol, vale-isso, vale-aquilo, vale-tudo. E também é por este exato motivo que a principal disputa nas últimas eleições foi pela “paternidade” do bolsa-família. 

Se o brasileiro quisesse cidadania, trataria de exercer a cidadania, porque cidadania não se concede, se exerce. Por exemplo, negando-se a legitimar político ladrão ou político com ideologia porca. Mas para isso o brasileiro teria que conhecer um pouquinho de política, teria assumir um pouquinho de responsabilidade sobre sua própria vida e seu próprio destino. E isso o brasileiro não quer fazer. O máximo que o brasileiro sabe fazer é ameaçar “dê-nos uma vida boa ou a gente quebra tudo”, como em junho de 2013.

Se o brasileiro gostasse de respeito, o brasileiro em primeiro lugar trataria o outro com respeito. Bastaria que o brasileiro se tornasse a mudança que quer para o mundo que a mudança do mundo aconteceria. Mas se procurarmos bem, encontraremos um único brasileiro que assuma que não respeita os outros como deveria e que assuma o compromisso de fazer uma autocrítica e mudar de comportamento para respeitar mais os outros? Não. Isso non ecziste

As manifestações de junho de 2013 foram de fato emblemáticas.

O povo brasileiro não estava de saco cheio de roubalheira, claro que não! Chega a ser piada dizer que o povo brasileiro não gosta de ladrão. O povo brasileiro sempre elegeu quem “rouba mas faz”, e, se alguém lembrou do nome “Maluf” ao ouvir esta frase, não tem como discordar do que estou dizendo.

O povo brasileiro estava de saco cheio era de ficar amarrado num canil sujo sem que ninguém viesse lhe trocar a água, encher o potinho de comida e dar uma mangueirada no chão. Estava latindo, roendo a corda e as paredes do canil porque tem sido extremamente mal cuidado, porque está endividado por muitos anos devido à concessão irresponsável e eleitoreira de crédito podre, com a inflação subindo e o emprego caindo, o dinheiro sumindo e a violência crescendo. Mas basta jogar um osso para dentro do canil e dar uma mangueirada no chão para todo mundo voltar a dar a patinha e abanar o rabinho. 

Marina Silva é apenas a salvadora da vez. Ontem foi a Dilma. Anteontem foi o Lula. Um pouco antes o FHC. Antes dele, o Collor. Antes ainda, era pra ter sido o Tancredo. O povo brasileiro está sempre em busca de um salvador. E, quanto mais o suposto salvador assumir toda a responsabilidade por tudo que possa ser imaginado, tanto mais é reconhecido. Não é por acaso, por exemplo, que a mitologia daquele que “tira os pecados do mundo” prospera muito mais do que a mitologia daquele que diz “treine sua mente”, e que a teologia da graça conquista muito mais adeptos do que a teologia das obras. Isso tudo revela claramente o que o povo brasileiro quer. 

O que o povo brasileiro quer mesmo é alguém que lhe dê água, comida e uma casinha e que o leve para passear firmemente preso pela coleira. Alguém que o livre de assumir responsabilidades e de fazer esforços para cuidar de sua vida e que o entretenha para que ele esqueça que vive uma vida de cão. Alguém que tire de seus ombros até mesmo o peso de ter que pensar no que quer da vida e no que deve fazer para atingir seus objetivos, pois pensar não dói, mas exige responsabilidade e esforço. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 05/09/2014 

METATOLERÂNCIA

Não seja tolerante, seja metatolerante. Ser indiscriminadamente tolerante é contraproducente, pois aumenta a intolerância. Ser indiscriminadamente tolerante não é sabedoria, é comodismo e fuga de responsabilidade. 

METATOLERÂNCIA

Se você deseja ser coerente em sua ação no mundo, tem que agir de modo lógico. Guiar-se por wishful thinking e fórmulas prontas que não exigem discernimento e entendimento das conseqüências imediatas e mediatas de seus atos é um método perfeito para produzir o oposto do que você quer. 

Se você deseja que o mundo se torne mais tolerante, é necessário ser intolerante com a intolerância. Isso tem que ser compreendido em profundidade. Para buscar esta compreensão, vamos fazer um exercício intelectual. 

Vamos imaginar quatro cenários hipotéticos, correspondentes às quatro linhas da tabela-verdade da metatolerância, em cada um dos quais a Skynet envia alguns milhares de Exterminadores do Futuro programados para derrubar o governo e instalar a oposição no governo. 

Cenário 1

Os Teletubbies são o governo mundial. Os Predadores são oposição. 

O governo promove cidadania, planta flores e cria coelhinhos. 

A Skynet é tolerante. Olha em volta, está tudo bem, não se mete. 

Cenário 2

Os Predadores são o governo mundial. Os Teletubbies são oposição. 

O governo usa os humanos como alimento para criar Aliens. 

A Skynet é tolerante. Olha em volta, está tudo mal, dialoga… 

Cenário 3

Os Teletubbies são o governo mundial. Os Predadores são oposição. 

O governo promove cidadania, planta flores e cria coelhinhos. 

A Skynet é intolerante. Extermina os Teletubbies, empossa os Predadores. 

Cenário 4

Os Predadores são o governo mundial. Os Teletubbies são oposição. 

O governo usa os humanos como alimento para criar Aliens. 

A Skynet é intolerante. Extermina os Predadores, empossa os Teletubbies. 

Análise

No cenário 1, os humanos estão bem e continuam bem. 

No cenário 2, os humanos estão mal e continuam mal. 

No cenário 3, os humanos estão bem e ficam mal. 

No cenário 4, os humanos estão mal e ficam bem. 

Isso acontece porque, em relação à tolerância e à intolerância, ser tolerante mantém a tendência, enquanto ser intolerante inverte a tendência. 

Adotar uma postura indiscriminadamente tolerante, portanto, não leva a um aumento da tolerância, mas a simples manutenção do status quo

Adotar uma postura indiscriminadamente intolerante, por outro lado, leva à desestruturação do sistema, porque nega constantemente o status quo e produz intensa permanente instabilidade. 

Conclusão

A única postura que permite perseguir um objetivo em relação ao nível de tolerância de um sistema é a metatolerância, ou seja, a definição do objetivo de aumentar a tolerância do sistema e a conseqüente adoção da postura adequada segundo a tabela-verdade da metatolerância: ser tolerante com os tolerantes e intolerante com os intolerantes

Todavia, metatolerância requer discernimento para identificar se as posições são tolerantes ou intolerantes e reagir de modo coerente e conseqüente, coragem para combater implacavelmente a intolerância e resistir tanto às acusações ingênuas quanto às mal intencionadas quanto a seus reais propósitos e honestidade intelectual para não justificar a omissão e o imobilismo de conveniência como se fossem tolerância nem agir de modo abusivo alegando falsamente que o interlocutor ou o adversário é que são intolerantes. 

É simples, mas eu nunca disse que era fácil. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 22/08/2014 

Outro texto sobre metatolerância, com exemplos reais: clique aqui.

Invasões partidárias – como proteger os partidos e preservar a democracia

Repito: a ingenuidade na política é uma fórmula garantida de fracasso. No artigo anterior eu mostrei como uma “democracia total em todos os níveis” destrói a democracia. Neste vou mostrar como uma estrutura aparentemente não democrática na verdade pode ser a última linha de defesa da democracia. 

Conselho Jedi
Ao longo do artigo você vai sacar o que essa imagem do Conselho Jedi está fazendo aqui.

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Invasões partidárias – como usar a democracia para destruir a democracia

A ingenuidade na política é uma fórmula garantida de fracasso. Discutindo a formação de um novo partido com alguns amigos, eles exigiram uma “democracia total em todos os níveis” como condição para participar – e muito democraticamente não quiseram nem sequer ouvir a explicação de por que isso não funciona

demos

 

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