Pela garantia do direito ao discurso de ódio

O discurso de defender “minorias” contra “discurso de ódio” não é um discurso de defesa de vulneráveis: é um discurso de dominação social usado por certas ideologias para iludir os menos capazes, obter seu apoio, alcançar o poder por via democrática e então eliminar a democracia. Quando todos os indivíduos têm seus direitos igualmente respeitados e seus deveres igualmente exigidos, acaba essa manipulação de tolos por safados totalitários que só querem dividir a sociedade para dominá-la.

Para que eu e você possamos sempre falar o que pensamos, este cara tem que ter garantido o mesmo direito, por mais que eu e você não gostemos do que ele diz.

Não existem minorias. Ninguém faz parte de algo que não existe. O Arthur é verde, você é azul, e nada disso interessa para a garantia de direitos ou a exigência de deveres. Garantindo os direitos e exigindo os deveres de todos igualmente, nenhum discurso importa. Não se corre o risco de oferecer aos governos o direito de decidir qual discurso é lícito e qual não é. Todo discurso é lícito enquanto discurso. Pouco importa que o discurso seja a aberração que for, enquanto o princípio de igualdade absoluta de direitos e deveres for mantido.

É exatamente por isso que a esquerda fala em igualdade e a primeira coisa que faz é promover leis desiguais para homens e mulheres, para brancos e negros, para heterossexuais e gays, etc.: para legitimar e tornar culturalmente hegemônica a possibilidade de legislar contra alguém em favor de outrem para obter simpatia dos aparentemente beneficiados, que não percebem ou não se importam com o fato de estarem construindo uma sociedade fascista que logo em seguida degenerará em opressão universal, como aconteceu na Venezuela.

Toda vez que um grupo consegue convencer uma sociedade que o governo deve ter o direito de estabelecer diferenças entre os cidadãos, é garantido que logo em seguir ele começará a estabelecer diferenças que garantam a sua própria sustentação no poder.

A estratégia da esquerda no Brasil é bem óbvia: quando ela fala em “defender minorias” contra “discurso de ódio”, ela escolhe as seguintes “minorias”: mulheres, que são mais da metade da população, negros e pardos, que são mais da metade da população, e gays e trans, que são notoriamente rejeitados pela direita e pelos conservadores, então não custa nada arrebanhar.

O próximo passo é demonizar alguém e culpar alguém por todas as dificuldades reais ou percebidas por todas estas pessoas. O culpado padrão, obviamente, é o homem branco heterossexual, que serve de contraponto às três “minorias” coitadinhas exploradas maltratadas “defendidas” pela esquerda. (Sendo que na verdade o homem branco heterossexual corresponde a menos de 15% da população e é a verdadeira “minoria” segundo a definição da própria esquerda, mas a esquerda não liga para coerência, só liga para manipulação emocional em busca do poder.)

O passo seguinte é criar desigualdades de propósito: Lei Maria da Penha, que cria privilégios para mulheres, Estatuto da Igualdade Racial, que cria privilégios para negros, e por aí vai. Como a criação de desigualdade pode promover a igualdade é um daqueles atos de duplipensar que muito pouca gente questiona, pois questionar não é conveniente para os beneficiados de curto prazo e não pega bem para os demais. Quem compreende e denuncia o absurdo é acusado de “discurso de ódio”.

Por que não protegeram igualmente homens e mulheres da violência doméstica? Por que não garantiram acesso a crédito justo a todas as pessoas independentemente de raça? Simples: porque o objetivo é promover a desigualdade aproveitando-se da conveniência dos menos capacitados, que vêem o benefício de curto prazo e não se importam nem com a justiça das medidas, nem com as consequências de longo prazo, como aliás faz a maioria da população.

E aí se tem a criação da hegemonia cultural de que é justo e correto criar distinções entre os cidadãos.

Quando isso acontece de modo consistente, fica fácil criar distinções entre quem tem legitimidade para exigir alguma coisa por qualquer justificativa furada e quem não tem o direito de abrir a boca não importa a justificativa. Por exemplo, isso ocorre quando eu sou acusado de “machista, racista e homofóbico” e acusado de “ter medo de perder meus privilégios” simplesmente por dizer que eu não tenho que perder minha vaga na universidade por causa de “dívida histórica” alguma, que eu não contraí e tenho o meu direito roubado sem poder reclamar. Aliás, quando eu reclamo ninguém acha que me chamar de fascista e de coxinha e que dizer que eu “não tenho empatia” é discurso de ódio. Aí vale.

Durante um tempo, esta manipulação funciona. Com o passar do tempo, o clima vai se recrudescendo. Muita gente vai se sentindo prejudicada. A atmosfera política e social começa a se tornar irrespirável, porque todo mundo não pertence a alguma destas minorias e acaba sendo prejudicado em algum momento. As pessoas começam a se sentir prejudicadas e sufocadas e são humilhadas quando reclamam. Mas aí o domínio já está bastante consolidado e começa a haver leis mais duras para “garantir os direitos das minorias”. E mais uma aqui, e mais uma ali, até que começa a haver manifestações contra de grande monta.

Este é o momento da ruptura. Esta é a hora de “proteger o povo contra a manipulação das elites” e tomar o poder “para garantir as conquistas” como foi feito na Venezuela. Um caminho que, felizmente, o Brasil conseguiu evitar a tempo com o impeachment da quadrilha criminosa que saqueou o país, aparelhou as instituições e por pouco não conseguiu dar um golpe branco igual ao de Nicolás Maduro. Foi por muito pouco. E a ameaça nem de longe foi debelada. O preço da liberdade é a eterna vigilância. 

Para que todos sempre possam dizer o que pensam, é necessário que todos eventualmente tenhamos que ouvir o que não queremos. Não se pode jamais permitir que governo algum decida qual discurso é lícito e qual não é. Para que os discursos ameaçadores nunca saiam da esfera do discurso, basta garantir direitos iguais para todos e exigir deveres iguais de todos, sem exceção, qualquer que seja.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 08/09/2017

Liberdade de expressão

A liberdade de expressão deve ser PLENA, com exceção dos crimes de calúnia e invasão de privacidade. Ninguém pode cercear o maluco que for de dizer a maluquice que quiser.

Coisa bem diferente é permitir a ORGANIZAÇÃO dos malucos para propósitos ilícitos.

Por exemplo, não deve ser proibida a Marcha da Pedofilia. Os caras têm o direito de reivindicar liberdade de expressão até mesmo para esta idéia abjeta.

Porém, pedofilia é ilícito. Portanto, os pedófilos não podem nem praticar o ato nem se organizar para qualquer finalidade que não seja se expressar a respeito.

Galera tem que lembrar que liberdade de expressão serve EXATAMENTE para que se possa dizer o que é abjeto, ofensivo, criminoso, desagradável, abominável, indignante, absurdo, detestável, ultrajante, preconceituoso, discriminatório, violento, incivilizado.

Porque para dizer aquilo que não incomoda ninguém não é necessário garantia alguma.

E você só vai dar valor a esta garantia quando um FDP disser que VOCÊ não pode dizer algo que você pensa e que ele não quer que você possa dizer.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/08/2017 

A cultura de submissão e o massacre na boate gay de Orlando

Eu já estou cansado de repetir isso, mas lá vai de novo: a primeira morte no massacre de Orlando foi causada pelo maluco assassino. Todas as demais mortes foram causadas pela prepotência e estupidez dos desarmamentistas organizados, pela famigerada imposição desarmamentista e pela cultura de submissão e covardia propagada por canalhas com pretensões fascistas e inocentes úteis com pretensões “politicamente corretas”. 

Gun Free Zone
Esta figura esclarece totalmente a estupidez desarmamentista.

Eu juro que eu adoraria compreender como funciona a mente desarmamentista, porque ela é irracional demais para que eu possa entender sua “lógica”. Basicamente, um desarmamentista pensa assim: “se as zebras não correrem nem derem coices, elas estarão seguras do ataque dos leões”. Tudo bem se um desarmamentista quiser apostar a sua própria vida nesta tese estúpida. O problema é que eles querem apostar a vida dos outros. E estão conseguindo, o que é impressionante, porque significa que muita gente está de acordo com uma tese simplesmente suicida.

O massacre ocorrido na boate gay em Orlando foi apenas mais um – não foi o primeiro e não será o último – massacre causado pelo prepotente e estúpido wishful thinking desarmamentista. “Especialistas” incapazes de somar dois e dois estão vomitando abobrinhas na grande mídia, dizendo que o problema é a facilidade com que o cidadão honesto obtém armas. Só que não. O problema é a dificuldade que o cidadão honesto tem para usar armas. Afinal, a boate gay em Orlando era uma “gun free zone“, uma “área livre de armas”. Livre para o cidadão honesto, óbvio, mas não para o assassino que promoveu o massacre.

Se a bicharada portasse revólveres e pistolas na mesma proporção em que portava camisinhas, quantas teriam virado purpurina na boate? Meia dúzia? Provavelmente nem isso. Se um percentual expressivo dos boêmios daquela fatídica noite estivesse armado, teria sido possível fazer um grande grupo de refém dentro do espaço de um banheiro? Nem pensar. Mas eu já estou cansado de explicar repetidamente o óbvio.

Mais armas nas mãos dos cidadãos honestos teriam salvo literalmente dezenas de vidas naquela noite.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/06/2016

STF rasga a Constituição e nos expõe a um risco gravíssimo

Você provavelmente não sabe, e a grande mídia só lançou a notícia em notas de rodapé, mas o Supremo Tribunal Federal acaba de anular uma cláusula pétrea da Constituição de 1988 e de colocar você e sua família em risco. Um risco gravíssimo.

polícia - pé na porta

Estou falando disto aqui:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;       (Vide Lei nº 13.105, de 2015)    (Vigência)

Pois bem… Na última quinta feira, 06/11/2015, o STF decidiu que a polícia pode entrar na casa de quem bem entender, a qualquer hora, sem mandado judicial, visando a busca de provas, bastando para isso apresentar posteriormente uma justificativa por escrito com “fundadas razões”. Sim, pode ser “ouvimos dizer que havia algo errado ali”. Não, isso não é exagero. Basta saber redigir o “ouvimos dizer” com um mínimo de formalidade e alegar que “a dica era quente” com a mesma formalidade.

No caso em tela, para usar o jargão dos advogados, a casa era de um traficante, palavra essa que ao ser citada já desliga o cérebro da maioria das pessoas e as impede de avaliar as conseqüências da aberração jurídica que o STF produziu. É nestas horas que eu dou Graças a Deus pelos leitores do meu blog. Mas eu quero avaliar duas conseqüências graves desta aberração jurídica.

A primeira, que é óbvia, é que na prática a casa deixa de ser o asilo inviolável do indivíduo. Se você percebe a gravidade da anulação desta garantia fundamental, de uma cláusula pétrea da Constituição, eu não preciso explicar. Se não percebe, não adianta eu explicar.

A segunda, que não é óbvia, é que isso é uma preparação para a volta da esquerda ao poder em 2022. Com a ampla colaboração da direita bruta e burra. Aprume-se aí na cadeira e acompanhe com atenção o raciocínio.

Todos nós sabemos que o atual governo federal está liquidado para as eleições de 2018. O PT é o partido com maior rejeição do país, rejeição esta que está aumentando, está sofrendo uma debandada de filiados, vai perder inúmeras prefeituras, não deve eleger nenhum governador e certamente não vai eleger o próximo presidente da república, além de que perderá espaço em todos os parlamentos – câmaras de vereadores, assembléias legislativas, câmara dos deputados e senado. Isso são favas contadas e eles mesmos sabem disso.

Os movimentos sociais de esquerda – feminista, negro e gay, principalmente – estão sendo cada vez mais apedrejados nas redes sociais. Recentemente uma postagem no Twitter dizendo “Todo branco é racista. Todo homem é um estuprador em potencial. Não existe mulher hetero.” se tornou viral e alvo de críticas de todos os tipos, desde as mais engraçadas até a pura e simples constatação de que pensar assim é coisa de gente doente ou mal intencionada. As pessoas estão perdendo o medo de contrariar as perversões coitaditas e “politicamente corretas”.

Então, em pleno declínio político da esquerda, um STF majoritariamente composto por esquerdistas – seguindo o voto do relator Gilmar Mendes, um conservador de direita – aprova a possibilidade de a polícia meter o pé na porta de qualquer um a qualquer hora do dia ou da noite sem mandado judicial.

Não parece estranho que esquerdistas estejam conferindo este incrível poder às polícias justo no momento em que sabem que a direita está prestes a dominar o cenário político nacional?

Não, meu caro leitor, isso não é estranho. Isso é estratégia.

Quem é o eleitor da esquerda? Majoritariamente a população pobre e miserável.

Quem será o alvo principal do pé na porta no meio da madrugada? Majoritariamente a população pobre e miserável.

A direita truculenta, após um jejum de 16 ou 24 anos, vai aceitar de bom grado este poder e vai exagerar.

A grande mídia brasileira, chapa branca ao extremo, vai omitir ou minimizar os abusos das polícias e vai mostrar preferencialmente casos de violação com “bons resultados” da garantia constitucional que foi tornada letra morta pelo STF.

As classes rica e média, com uma minoria de eleitores, não serão muito incomodadas pelas polícias.

As classes pobre e miserável, entretanto, com a maioria absoluta dos eleitores, viverão em constante estado de medo, sofrerão abusos freqüentes e ainda serão humilhadas pela grande mídia e massacradas nas redes sociais como um bando de bandidos.

Então, na campanha de 2022, a esquerda ressurgirá com seu velho discurso de defesa das classes trabalhadoras, dos pobres, dos excluídos e dos marginalizados, humilhados e oprimidos pela polícia da direita truclenta ao longo de quatro anos, oferecendo-se como salvação nacional e única verdadeira defensora da dignidade destas classes.

E voltará ao poder podendo meter o pé na porta de qualquer um, não apenas dos pobres e miseráveis, a qualquer hora, sem mandado judicial, bastando apresentar uma desculpa furada qualquer depois do fato consumado e talvez de algum pacotinho ter sido plantado.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/11/2015

Resposta do leitor: casamento gay

Pessoas boas naturalmente fazem coisas boas. Pessoas más naturalmente fazem coisas más. Mas para que pessoas boas façam coisas más, normalmente é necessário alguma crença irracional e estúpida. O texto no quadro abaixo é de um amigo meu no Facebook em resposta ao artigo Pergunta ao leitor: casamento gay. Os grifos são meus. 

Fanáticos são inimigos da cidadania

Gente, estou deixando de resharear automaticamente os posts do Pensar Não Dói.

Embora eu seja amigo do autor, que considero uma pessoa razoavelmente inteligente e competente para muitas coisas, para outras ele apresenta uma visão preconceituosa e tacanha a que eu não tenho sempre tempo de oferecer o devido contraponto aqui (e, por óbvio, também não posso deixar a timeline servir de palanque para causas incivilizatórias). 

O motivo próximo para a decisão foi o post a respeito do casamento gay, onde o querido Arthur Golgo Lucas, com o jeito debochado que lhe é peculiar, repete os mais rasteiros lugares-comuns do lobby homossexual. É até indigno de uma pessoa alfabetizada como ele escrever um post naqueles termos, com quatro linhas fanfarrônicas, mas enfim… Como eu nem sempre tenho condições de comprar todas as polêmicas fúteis que se me aparecem nas redes sociais, prefiro me resguardar e deixar a meu alvitre escolher as em que vou me bater – ao invés de deixar ao NetworkedBlogs o papel de fazer isso automaticamente por mim. 

Quem sentir falta dos textos, não deixe de seguir diretamente o seu autor na página citada acima. 

Segundo meu amigo, sou ao mesmo tempo inteligente e tacanho. Segundo meu amigo, eu, que defendo intransigentemente os Direitos Humanos nos moldes originais, conforme a DUDH, defendo causas incivilizatórias. Segundo meu amigo, eu, que sou competente para muitas coisas, escrevi um texto indigno de uma pessoa alfabetizada. Segundo meu amigo, o texto que o incomodou tanto que ele deixou de compartilhar os artigos do Pensar Não Dói é uma polêmica fútil. 

Observe duas coisas, leitor: primeira, que o texto do meu amigo é bem esquizofrênico; segunda, que em nenhum momento meu amigo responde a pergunta feita no artigo original, limitando-se à adjetivação vazia. Eu acho isso lamentável, mas não estranho. É isso que eu quero analisar aqui.

Em primeiro lugar, ele disse que a minha visão é preconceituosa e tacanha, mas a posição que eu assumi implicitamente no artigo anterior e explicitamente neste artigo é a defesa da cidadania plena para todas as pessoas, independentemente de orientação sexual – ou de qualquer outro fator. Vamos deixar isso bem claro e bem definido: eu defendo a cidadania plena para todos mesmo, o que inclui os gays, lésbicas, transgêneros, o meu amigo, os bandidos, os criminosos, os estupradores, os torturadores, os assassinos, a Madre Teresa de Calcutá, Adolf Hitler, Mahatma Gandhi, Pinochet, Stálin, Stroessner, os Castro, o papa, o traficante da esquina, o raio que o parta, sem preconceito de espécie alguma, sem distinção de espécie alguma. Enquanto um indivíduo não violar algum direito de terceiros, nenhuma limitação a sua cidadania pode ser imposta e não deveria ser nem sequer sugerida, porque isso é a base da civilização. Julgue o leitor se minha visão é preconceituosa e tacanha.

Em segundo lugar, ele disse que a causa que eu defendi é incivilizatória, mas, como eu afirmei no parágrafo acima, minha posição é fundamentada e balizada em um modelo civilizatório em que ninguém tem direitos limitados ou tolhidos de qualquer modo a não ser que viole direitos de terceiros. E, no caso de alguém violar direitos de terceiros, eu defendo que o modo como devemos tratar estes indivíduos seja exatamente o modo como cada um de nós gostaria de ser tratado caso fosse acusado de modo injusto ou falso de ter violado algum direito de terceiros. Mais profundamente, devemos considerar a hipótese de recebermos uma condenação injusta – que é algo que infelizmente às vezes acontece mesmo nos mais perfeitos sistemas judiciários – e estabelecer para todos os tratamentos que gostaríamos de receber caso nos encontrássemos pessoalmente nesta situação. Por exemplo, se você for falsamente acusado de ser um torturador homicida e injustamente condenado, você não quer pena de morte, você não quer prisão perpétua, você não quer maus tratos, você quer uma pena de privação de liberdade em que você tem a oportunidade de trabalhar, de estudar e de provar ao Poder Judiciário o mais rápido possível que já está em condições de retornar ao convívio social. Julgue o leitor se eu defendo causas incivilizatórias.

Em terceiro lugar, ele disse que meu artigo anterior é indigno de uma pessoa alfabetizada, mas naquelas quatro linhas “fanfarrônicas” eu explicitei uma problemática de modo claro e preciso, que ele entendeu muito bem e no entanto não foi capaz de rebater senão com adjetivações vazias, sem apresentar um único argumento em contrário à posição que eu defendi. Sim, ele disse que não o fez porque não quis, porque tem o direito de escolher as causas pelas quais se bate. É uma meia verdade. A outra metade é que, para contra-argumentar, ele precisaria fundamentar seus argumentos – e ele não tem como fazer isso sem deixar claro que sua posição é baseada em uma crença irracional e estúpida. Para ser preciso, a crença de que um ser onisciente, onipotente e bondoso, capaz de criar um universo com a complexidade do nosso, engravidou de si mesmo uma virgem, sacrificou seu avatar humano a si mesmo para aplacar sua própria ira e exaltar sua própria glória, deixou instruções universais e atemporais codificadas por alguns safados que exploravam a fé de povos ignorantes no meio de um deserto há dois mil anos atrás e que uma destas instruções era que ninguém pode se relacionar com alguém do mesmo sexo ou será ressuscitado para ser torturado por queimaduras intoleráveis por toda a eternidade em nome do amor deste ser onisciente, onipotente e bondoso. Julgue o leitor se sou eu quem precisa de alfabetização e um pouquinho de aula de ciências.

Em quarto lugar, ele disse que não respondeu porque esta é uma polêmica fútil, mas se incomodou tanto com a polêmica fútil que decidiu parar de compartilhar os artigos do meu blog. Não estou reclamando que ele deixou de compartilhar os artigos, que fique bem claro, pois isso é direito dele e ele recomendou a seus amigos que sigam o Pensar Não Dói diretamente, indicando o link para fazê-lo. Julgue o leitor se a questão que eu propus é realmente uma polêmica fútil. 

Meu amigo, que eu conheço há uma década, desde o segundo ano de existência do Orkut, sempre me pareceu ser uma pessoa inteligente e decente. De fato, eu acredito que esta seja a essência da personalidade dele. Infelizmente, devido à doutrinação em uma crença irracional e estúpida, uma pessoa que de outra forma provavelmente seria um iluminista, capaz de raciocinar por conta própria e de defender posições sensatas e bondosas, tornou-se um intolerante, uma força do mal, um inimigo da cidadania, cuja atuação no mundo visa impor restrições aos direitos de pessoas inocentes cuja sexualidade ele se julga no direito de não aprovar, como se ele tivesse legitimidade para agir como legislador, promotor de justiça, juiz, júri e carrasco em nome de Deus. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/06/2015 

Pergunta ao leitor: casamento gay

Por favor, alguém me explique: como é que o casamento gay ameaça a família? Se o Estado reconhecer a união do meu vizinho gay com o namorado dele, eles vão comemorar esfaqueando a minha esposa e meus filhos, é isso? Ou talvez os gays só possam se casar se assinarem os documentos com sangue removido da hipófise de heterossexuais abatidos com balas de prata? Não sei, não estou entendendo isso. 

Bolo de casamento gay

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 03/06/2015 

Liberdade com Responsabilidade

Eu estudei em uma escola cujo lema era LIBERDADE COM RESPONSABILIDADE. Eu fiz alguma grande porcaria na vida? Nada. Por quê? Porque eu levei aquilo a sério. Se eu não posso arcar com a responsabilidade, eu não abuso da liberdade. Hoje em dia, entretanto, é “careta” exigir responsabilidade, honra, compromisso, na verdade é “abusivo” exigir qualquer coisa. 

excalibur

Todo mundo quer a liberdade de não responder pelos próprios atos (daí o aborto, daí as cotas, daí o Bolsa-Família, daí o coitadismo institucional). E ao mesmo tempo quase todos querem um Big Brother orwelliano dizendo o que podem e o que não podem fazer para não terem que pensar por si mesmos, para não terem que arcar com a responsabilidade e as conseqüências de suas decisões. Quem pensa assim está mais para verme do que para ser humano.

E quem – mesmo com as melhores intenções – resolve atender essas demandas invariavelmente desanda para o fascismo, consciente ou inconscientemente, e assim coloca toda a civilização no rumo do obscurantismo. 

É por causa disso que eu não posso dirigir com bom senso, eu tenho que me arrastar a uma velocidade estúpida arbitrada por um burocrata sem-noção (e muitas vezes mal intencionado, com o puro objetivo de arrecadar dinheiro).

É por causa disso que eu não posso comprar álcool líquido, como se eu fosse um retardado que não pode comer com garfo sem furar o olho ou acender uma chama sem incendiar a casa. 

É por causa disso que eu tenho que pagar para alguém me autorizar a comprar um antibiótico (ou a substância recreativa de minha livre escolha) para mim mesmo com meu próprio dinheiro, mesmo que eu saiba o que comprar, a quantidade e o esquema de tomada.

O mundo está se tornando cada vez mais fascista porque espertalhões de uma lado e estúpidos ou ingênuos bem intencionados de outro lado não confiam na capacidade do ser humano. Não compreendem ou não adotam com a devida radicalidade o lema iluminista – Sapere aude! – e com isso vão induzindo o ser humano a se tornar cada vez mais incapaz e a cada vez mais precisar do mesmo veneno (tutela de consciência) para não furar o olho enquanto come com garfo. 

“O iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem.

É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem.

Sapere aude! – Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do iluminismo.”

Não se desenvolve maturidade sem o exercício da liberdade. Não se ensina uma criança a andar com aulas teóricas, nem com vídeo explicativos, nem com bons exemplos. Ela tem que tentar caminhar com suas próprias pernas, tem que cair, levantar e tentar de novo, ou nunca caminhará. 

Do mesmo modo, não se pode “esperar a sociedade atingir uma certa maturidade para ter determinados direitos e liberdades”. Não é assim que funciona. A maturidade vem com o exercício da liberdade. 

Eu sou um iluminista. Eu não aceito a tutela de minha consciência. Eu não confiro a ninguém o direito de dizer o que eu posso ou o que eu não posso fazer, e com quem, e quando, e onde, e como, a não ser que se trate de uma norma sensata que me ajude a não prejudicar ninguém no processo.

Eu sou um iluminista. Eu não tutelo a consciência alheia. Eu não aceito a responsabilidade sobre a estupidez alheia, sobre as decisões alheias, nem sobre os atos alheios, a não ser que eu tenha contribuído materialmente ou induzido alguém a erro.

Eu sou um iluminista. Eu vivo por e para os valores iluministas. Coragem para fazer uso da própria razão, liberdade e responsabilidade são valores inegociáveis. Estes valores não têm preço. Estes valores não podem ser tocados por segurança, nem por conveniência. Estes valores são a essência da dignidade e o alicerce da civilização. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/01/2014 

Je suis Charlie

Não há uma guerra entre civilizações. Por definição, duas civilizações nunca entram em guerra. Simplesmente não se pode usar a palavra “civilização” para fazer referência à ideologia de fanáticos intolerantes que consideram censura ou ataques terroristas caminhos legítimos para fazer valer seus pontos de vista. 

Je suis Charlie

Em uma sociedade civilizada, ninguém tem o direito de não ser ofendido, nem jamais pode ter. Aqueles que buscam tal direito, para si ou para outrem, seja qual for a justificativa, religiosa ou laica, na verdade buscam o direito à tirania, porque quem busca tal direito – e principalmente seus auto-proclamados representantes – nunca exige que este seja um direito universal e igualitário. 

Muito antes pelo contrário, quem busca tal direito sempre alega que os supostos oprimidos devem obtê-lo, mas os supostos opressores não. Uma vez que tal aberração é produzida, invariavelmente aqueles que são apontados como opressores são ofendidos e demonizados e seus protestos quanto à violação de seus direitos são ridicularizados. A busca do direito de não ser ofendido não é, portanto, uma luta por dignidade, é uma luta por dominação. 

Eu considero o periódico “cômico” Charlie Hebdo um completo lixo. Não me agrada seu estilo de humor, não me agrada sua visão política, não me agrada o tipo de sociedade que eles gostariam de implantar, não me agrada a falta de respeito contumaz que ele estampa em suas páginas e não me agrada seu tom ofensivo. Mas eu defendo radicalmente a liberdade de expressão. Então, eu defendo que aquela porcaria de mau gosto tenha todo o direito de existir e de se expressar como bem entender. Sempre. 

Quando alguém censura ou de qualquer modo ataca a liberdade de expressão de quem quer que seja, incluindo um lixo como o Charlie Hebdo, com o qual eu não concordo e que eu gostaria de ver falir por falta de leitores, é a liberdade de expressão no mundo em que eu vivo que está sendo atacada, são os valores que eu defendo que estão sendo atacados, é o estilo de vida que eu defendo que está sendo atacado, sou eu quem está sendo atacado. 

Em defesa da civilização, em defesa dos Direitos Humanos iguais e inalienáveis de todo membro da família humana, em defesa da liberdade de expressão e contra qualquer forma de tutela de consciência, EU SOU CHARLIE. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/01/2014 

Faca livre: uma loucura libertária com efeitos desastrosos

Leia. Ria. Reflita. 

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Faca livre: uma loucura libertária com efeitos desastrosos 

(Joel Pinheiro da Fonseca) 

Quinta-feira próxima completaremos um ano do fim da política de restrição à posse e ao uso de facas, política que, lembremos, recebera menção da ONU por sua eficácia no combate à violência. Desde então, estamos submetidos a um experimento social radical em que todo mundo pode ter, comprar, vender e portar uma faca afiada com potencialidade letal. E o resultado, como qualquer observador razoável e não movido por ideologias sectárias já percebeu, tem sido um desastre absoluto.

Lembram-se das promessas dos defensores da liberação? Diziam que o aumento de homicídios era mito, que as pessoas queriam facas para usos pacíficos. Diziam, ademais, que o crime já usava facas conseguidas ilegalmente. Asseguravam que as pessoas saberiam lidar com o risco de uma faca dentro de casa. A realidade, contudo, contou uma história bem diferente: de 2013 para cá, as mortes por faca em conflito residencial subiram de 3 para 56. Isso mesmo, um aumento de 1866,7%. Ainda não há dados para crimes passionais e acidentes domésticos que não terminaram em morte, mas tudo indica que o aumento foi ainda maior.

O que antes circulava apenas nas gangues mais violentas é agora um utensílio na gaveta de muitos lares, ao pleno alcance de um marido ciumento, de um jovem imprudente ou mesmo de crianças. O preço da faca no mercado caiu 60%, sendo vendida em qualquer esquina. Saber que traficantes perderam parte do seu lucro é um consolo pífio quando lembramos que a violência outrora restrita ao tráfico foi universalizada. Ademais, o tráfico continua ativo, vendendo facas de péssima qualidade, inseguras e mais afiadas do que a lei permite.

Outra falácia dos apóstolos da faca é a de que a liberação movimentaria a economia, devido ao aumento de vendas. Só se esqueceram de um detalhe: a nova lei decretou a morte de setores inteiros. A maioria das empresas alimentícias fechou a divisão de fatiamento do produto final, sem falar na categoria dos cortadores autônomos que já está em vias de extinção. O sindicato conseguiu um financiamento público para se “adaptar” à nova realidade, e há alguns pedidos de restrição ao que os usuários domésticos podem fazer com a faca. Cortar alimentos crus, como sushi, por exemplo, demanda providências de higiene que a maioria dos lares não tem. Também não está claro ainda se é lícito usar a mesma faca para alimentos e usos não-alimentares, que traz riscos de contaminação, acidentes, etc. Seja como for, o presidente do SINFaca é bem pessimista: “acabaram com o nosso sustento; jogaram a gente na rua”. Vivas ao livre mercado!

A indústria de facas (real interesse por trás da campanha) aumentou sua folha de pagamentos em 4.000 pessoas nos meses iniciais, bem abaixo do previsto. Como a estrutura produtiva básica já existia, os ganhos de escala fizeram com que poucos novos funcionários tenham sido necessários. No mês passado, dessa mão-de-obra adicional, 1.200 já tinham sido dispensados. Compare isso com os quase 10.000 empregos diretos e indiretos perdidos no setor de fatiamento, seja nas empresas, seja entre os autônomos. A perda econômica foi substancial.

A vida real, pra variar, contrariou as expectativas dos economistas teóricos, e por um motivo muito simples. A demanda por facas é pontual; cada domicílio se abastece de algumas que durarão vários anos sem necessidade de reposição. Já a necessidade de fatiar a comida é diária e recorrente. Ao se trocar essa demanda constante por uma demanda pontual perdemos empregos no longo prazo.

O lucro da indústria de facas trouxe riscos ao lar, custou empregos e renda da população mais carente e ainda explora a falta de informação do consumidor, que também saiu lesado. Fatiar um alimento não é tarefa para leigos. Um especialista percebe a diferença entre um corte bem-feito e um amador. O corte bem-feito é regular, o tamanho de cada pedaço é adequado às necessidades do cliente, de forma a garantir mastigação e deglutição agradáveis e saudáveis. Prontos-socorros têm reportado aumento nos casos de engasgo. Peixe e frango exigem cuidado especial para separar a espinha e ossinhos da carne comestível; técnica que, previsivelmente, a maioria dos leigos não domina. Isso leva à ingestão de detritos danosos ou ao desperdício da carne mais difícil de separar. Sem falar dos danos de longo prazo oriundos da mastigação e de pedaços grandes demais (e com detritos não comestíveis como ossos) e da digestão dificultada, que ainda demorarão a aparecer, mas não são menos reais.

Só uma pequena quantidade de famílias mais instruídas tem a informação necessária para fazer uma escolha consciente; essas continuam a consumir apenas comida fatiada por profissionais devidamente formados e credenciados. Para a imensa maioria, a nova lei significou a lei da selva: exposição elevada a riscos sob o pretexto de que cada um faz o que quer.

Com a nossa vida e a vida dos nossos filhos em risco, é hora de repensar a tirania anárquica a que temos nos submetido. Faca dentro de casa, não! Os dados mostram que os riscos e os custos em muito superam os ganhos de uma liberdade de escolha fictícia e desinformada. 

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Fonte: Instituto Ludwig von Mises Brasil

O crack é diferente das outras drogas?

Sempre que eu falo em “legalização de todas as drogas” alguém me pergunta: “e o crack? Ou então: e o krokodil? (Droga sintetizada na Rússia que causa perda de membros e pedaços do corpo por necrose.) Você quer legalizar estas drogas também?”. Sim. Quando eu digo todas, significa todas

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