Por que abandonei o ensino

Foram três grandes motivos: porque o salário era e continua sendo uma porcaria, porque eu não acreditava e continuo não acreditando na utilidade dos currículos e porque eu constatei que as relações humanas e profissionais no ambiente escolar ou acadêmico mudariam muito e para muito pior. É sobre este último item que quero falar agora.

Sou bom em sala de aula. Mas não em um ambiente de coitadismo institucionalizado em que qualquer desvio do politicamente correto é ofensivo e vira alvo de patrulhamento intolerante.

Eu jogava giz nos alunos. Jogava até o apagador. Peguei aluno pelo pescoço e o arrastei até a classe para fazê-lo ficar quieto. Sentei no colo de alunos e alunas. Fazia guerra de giz. Só não tacava fogo na sala por pouco. E no entanto mantinha a disciplina, exigia bom comportamento e atenção às aulas. As turmas gostavam de mim. Alunos e alunas me procuravam para estudar e para obter conselhos pessoais.

Hoje em dia nada disso é possível.

Uma vez estávamos no meio de uma guerra de giz e bolinhas de papel, com trincheiras feitas com classes e tudo o mais, e o diretor da escola entrou porta adentro.

Eu gritei “O inimigo está invadindo a sala! Fogo nele!” e joguei giz no cara. E choveu giz e bolinha de papel nele, que teve que recuar. ?

Quando ele saiu da sala, gritei “Expulsamos o inimigo! Vitória!” e rolou uma grande ovação de vitória. ?

Aí eu saí no corredor e falei “General, se o senhor tiver algum comunicado a fazer a meu exército, eu posso propor um armistício!” ?

E ele voltou e não tocou no assunto, tratou de dizer o que veio dizer e caiu fora. Todo mundo se borrando quando caiu a ficha que tinham atirado giz no diretor. Mas não rolou nenhum stress.

Você pode imaginar uma cena dessas no ambiente mimimizento abjeto de hoje?

Obviamente eu não fazia essa zona toda hora. Nesse nível foi só essa vez.

A maioria das minhas aulas era séria, mas de bom humor. Eu não fazia palhaçada planejada, como esses animadores de sala de aula de hoje em dia. Eu sou professor, não palhaço, não cheerleader.

Eu apenas não reprimia momentos naturais de descontração e não dava muita bola para o risco de algum imbecil bancar o ofendidinho ou denunciar uma “agressão” porque joguei um giz na testa dele.

Bons tempos.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/02/2017

Publicado originalmente no Facebook em  28/02/2016.

Atualização em 28/02/2018

Os outros dois motivos pelos quais abandonei o ensino foram igualmente importantes. Não se pode ter um bom ambiente de ensino se o professor não se orgulha da utilidade da disciplina que está lecionando para a vida do aluno – a não ser que ele seja um medíocre ou um psicopata, e em nenhum destes casos eu chamaria o resultado de “bom ambiente de ensino”. E não se pode ter um bom ambiente de ensino com um professor cujo salário não depende do quanto ele se esforça para o bom cumprimento de sua tarefa – o que é o caso em todo o ensino público, onde os salários dos professores não têm nada a ver com seu desempenho em sala de aula, e na maior parte do ensino privado, porque o salário em si em geral não muda conforme o desempenho em sala de aula, o que muda é a empregabilidade dos professores.

 

Uma dica para quem precisa preparar um curso

Um belo dia você precisa preparar um curso em seu trabalho. Digamos que com uma carga horária de vinte horas, um turno por semana, avaliação no último dia. E agora? Por onde começar? O que incluir? Que recursos audiovisuais utilizar? Como avaliar?

Se você fizer como quase todo mundo faz, eu sei o que vai acontecer. Você vai começar do que acha que é o começo, escolhendo sobre o que vai falar, vai procurar alguns recursos audiovisuais para ter o que mostrar e ao final vai ficar em dúvida sobre o que exatamente avaliar, limitando-se a fazer algumas perguntas simples para evitar um mar de baixas avaliações, ou vai acabar exigindo a mera memorização de algumas informações específicas. E o resultado disso é que você vai preparar um curso bem fraquinho, com muito pouca utilidade, como quase sempre acontece.

Eu já vi isso acontecer muitas vezes. Já vi um profissional preparar um curso de aperfeiçoamento que mal continha o básico de sua atividade, já vi um professor preparar um curso sobre didática em que ninguém aprendeu nenhuma técnica ou desenvolveu qualquer habilidade nova, vi um aluno de pós-graduação preparar um curso de qualificação cheio de erros grosseiros, vi um departamento inteiro de um órgão público preparar um curso que se tornou uma grande colcha de retalhos sem nenhuma ligação entre si, vi um técnico em uma área muito específica do conhecimento preparar um curso cheio de lacunas em sua própria área de especialização, entre outros. Em comum, todos eles tiveram pouca utilidade prática.

Pois bem… Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar, porque a minha dica é tão simples e fácil de memorizar quanto poderosa para auxiliar tanto na seleção dos conteúdos quanto na organização de suas apresentações.

Eis a dica: a primeira coisa que você tem que preparar é a prova final. Ponto.

Quando você prepara um curso começando pela prova final, tudo fica muito claro. Ao começar pela prova final, a primeira coisa que você tem que decidir é quais são os conhecimentos que os seus alunos terão que mostrar que aprenderam e quais são as habilidades que eles terão que demonstrar que desenvolveram. Tendo em mente o que seus alunos precisarão saber ao final, sua seleção de conteúdos se tornará muito mais objetiva e sua seleção de recursos tenderá a ser muito mais dirigida. Tendo a prova final em mente, você terá um critério muito claro para dar ênfase no que é mais importante e terá uma tendência muito menor de usar os recursos audiovisuais como confete e purpurina.

Não repita aquela bobagem de quem diz que “prova não avalia”. Provas são um excelente método de avaliação. Na maioria absoluta dos casos, quem acha que prova não avalia é justamente quem não sabe preparar uma prova. E não sabe preparar uma prova porque só pensa em fazer isso depois de já terem dado um curso inteiro sem objetivo, sem método e sem consistência. É um erro comum, mas é fácil de ser corrigido – especialmente agora que você já sabe o que deve ser feito.

Você não vai preparar uma prova para avaliar o curso que você preparou, você vai preparar um curso para capacitar seus alunos a corresponder às exigências que você estabeleceu na prova. Você terá um roteiro de desenvolvimento. Você terá um mapa para corrigir sua rota on the fly. Você terá um padrão ouro para checar a qualidade do que está fazendo. E você terá, no resultado geral dos seus alunos, uma avaliação da sua capacidade de preparar um curso adequadamente para transmitir determinados conhecimentos e desenvolver determinadas habilidades. Um bônus inestimável.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 06/01/2017

Drogas não são problema de saúde pública. São questão de cidadania

Estou aqui assistindo (15/11) um canalha de voz melíflua falar com a maior cara de pau que a droga no Brasil não pode ser legalizada porque temos milhões de desempregados e se liberarmos as drogas esse público desesperado vai se afundar no vício. Ele também diz que é necessário um debate melhor, mais estudos e mais educação antes que se possa dar um passo tão perigoso que pode colocar em risco a saúde pública. Eu vejo estas declarações mal intencionadas travestidas de afetada razoabilidade e me ferve o sangue. 

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Em primeiro lugar, qualquer desempregado que quiser comprar maconha, cocaína, crack, ecstasy, LSD e anfetaminas hoje tem fácil acesso a qualquer uma destas drogas. Tente você comprar um simples antibiótico ou uma caixa de ritalina. O tal cara sabe disso e esta declaração dele demonstra claramente a que ele vem e retira completamente a legitimidade e a credibilidade de qualquer coisa que ele diga sobre o assunto.

Em segundo lugar, este tipo de terrorismo pornográfico só funciona para justificar os alucinados que já babam de ódio contra a possibilidade de alguém ter a liberdade de fazer algo que eles querem que seja proibido não interessa a justificativa. Drogas não são um problema de saúde pública, são uma questão de cidadania. Até existe um componente de saúde pública envolvido, mas não é este o ponto central desta discussão. O que o tal cara quer fazer é decidir segundo seus próprios padrões ideológicos o que os outros podem ou não fazer, independentemente das consequências para os outros.

Em terceiro lugar, a verdade é que não existe debate a respeito deste assunto. Eu discuto isso há duas décadas e é muito se 1% dos proibicionistas mudaram de idéia mesmo perante todos os argumentos do mundo que mostram claramente que não existe nenhuma vantagem na proibição e que existem inúmeras vantagens na legalização e na mais ampla liberalização possível.

Em quarto lugar, são justamente os caras que dizem que é necessário mais educação que fazem todos os esforço possíveis para que não haja educação nenhuma a respeito deste assunto, mas simplesmente doutrinação para “dizer não às drogas”. Eles chamam qualquer informação útil sobre o assunto de “apologia” e dizem que isso é caso de polícia. Ou seja, para eles, “educar” é obrigar todo mundo a propagar a idéia deles, sem adquirir nenhum conhecimento, sem a possibilidade de divergir ou ou fazer escolhas próprias bem informadas.

Em quinto e último lugar, perigoso é manter o proibicionismo estúpido que faz o preço de todas as drogas subirem até a estratosfera, tornando este mercado extremamente atraente para quadrilhas criminosas cada vez mais violentas e mais capazes de corromper o poder público ou de plantar seus membros em todos os poderes da República.

Todos os países que adotaram medidas liberalizantes assistiram o consumo cair, a criminalidade cair e o custo para lidar com o problema das drogas cair. E a queda é tanto maior quanto mais liberalizante a medida. Mais estudos o K@$#%#, o que nós precisamos é parar de ouvir estes canalhas intolerantes amigos da onça que atravancam a liberdade, o progresso e a segurança e com isso promovem muito mais sofrimento, violência, corrupção e morte do que o consumo pacífico de qualquer substância poderia trazer!

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/11/2016

A minha proposta de reforma do ensino

Escrevo este artigo antes de ler a MP sobre a reforma do ensino, porque ao buscá-la na internet descobri que ela recebeu mais de quinhentas emendas, ou seja, virou um monstrengo deformado com câncer a respeito do qual não dá para afirmar nada, nem se vai sobreviver, quanto mais se haverá de se tornar saudável. Pelo que tudo indica, mais uma vez o Brasil perderá uma ótima oportunidade de sair da lama. E não precisaria ser assim. A minha proposta é MUITO simples e eficaz.

O que eu faria com o ensino fundamental e médio? O seguinte:

  1. O governo define uma carga horária razoável para cada nível de ensino, igual para todo o país.
  2. O MEC define metade do currículo segundo seus especialistas e consultas a quem quiser.
  3. Cada escola define de modo 100% livre e independente a outra metade do currículo.

Pronto. Este é o texto completo da minha reforma do ensino.

Não vou entrar no mérito se tem que ter língua estrangeira ou não no currículo, se artes e filosofia devem ser obrigatórias ou opcionais, se tem que ter educação física ou se tem que ter matérias optativas. Nada disso me importa.

O governo que defina a carga horária e o MEC que decida o que bem entender e estabeleça como obrigatórias ou optativas as disciplinas que quiser, com o conteúdo que quiser, segundo os critérios que quiser, inclusive reservando um percentual de carga horária para que as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais definam currículos de natureza regional, exclusivamente na metade do currículo sobre a qual cabe ao governo tomar decisões.

Quanto à outra metade do currículo, que seja integralmente definida em cada escola, de acordo com o critério que cada escola quiser utilizar. A escola que quiser pode consultar a comunidade, a escola que quiser pode simplesmente dispensar seus alunos, a escola que quiser pode oferecer um curso obrigatório de mecatrônica avançada, sem que absolutamente ninguém possa questionar a decisão tomada pela escola, nem interferir no currículo, de modo algum. A escolha que cabe aos pais em relação às escolas que não quiserem consultar ninguém para definir seus currículos é matricular ou não o filho naquela escola. Mais nada.

Sabem o que vai acontecer?

A metade do currículo definida pelo MEC será igual para todo mundo. Ou seja, o básico definido pelos especialistas como indispensável para a formação do cidadão será oferecido a todos. Provavelmente vai incluir língua portuguesa, língua inglesa, artes, música, filosofia, sociologia, educação física, história, geografia, matemática, física, química e uma ou outra que eu posso ter esquecido. Grosso modo, a mesma porcaria de sempre, que não serve para nada, mas que é considerada “indispensável” pelo MEC e pelos “especialistas” em educação. Teremos que conviver com esse peso inútil porque é politicamente impossível se livrar deste atraso de vida sem que escolas sejam invadidas, ruas sejam obstruídas, greves sejam lançadas e a vanguarda do atraso inviabilize o país novamente.

Já a outra metade do currículo será diferente para todo mundo – e isso vai deixar bem claro quais escolas estão formando alunos para o sucesso na vida e quais estão apenas servindo para sustentar gente incompetente, agitadores políticos e outros arautos do atraso. E, ficando claro qual currículo produz gente de sucesso e qual currículo produz fracassados, cada pai e cada mãe no país terá a opção de escolher se quer que seu filho seja uma pessoa de sucesso ou um fracassado na vida, bastando para isso escolher matriculá-lo na escola A ou na escola B.

O que tem que ficar claro que as escolas que não tiverem alunos suficientes para funcionarem não receberão incentivos financeiros do governo. Se forem privadas, elas vão falir. Se forem públicas, elas serão fechadas e seus diretores e professores serão demitidos a bem do serviço público. Não precisamos de incompetentes que levam escolas à falência recebendo salário para destruir a educação no país. Se houver necessidade na região, serão abertos novos concursos públicos para reabrir a escola no ano seguinte, sendo vedada a recontratação dos demitidos antes de cinco anos no serviço público.

Obviamente, as escolas de maior sucesso acabarão recebendo uma quantidade de pedidos de matrícula cada vez maior. Para que elas não se tornem elitistas e excludentes, basta estabelecer a regra de que nenhuma escola pode rejeitar nenhum pedido de matrícula. Se uma escola receber mais pedidos de matrícula do que é capaz de atender, o governo fica automaticamente obrigado a financiar a expansão daquela unidade escolar, em regime de emergência, segundo os mesmos exatos critérios de estrutura e funcionamento daquela unidade escolar no ano anterior – ou seja, a escola não fica limitada a atender um determinado número de alunos em função de não ter capacidade de investimento para ampliar suas instalações. É óbvio que a unidade 2 de uma escola não necessariamente terá a mesma qualidade da unidade 1, porque não é possível clonar professores, mas ainda assim esta é a melhor solução disponível.

Cada professor tem o direito de dar aula como quiser? Tem. Cada direção de escola tem o direito de administrar sua escola como quiser? Tem. Cada pai e mãe de aluno tem o direito de matricular seu filho na escola que bem entender? Tem. Cada Gestor público tem o direito de demitir funcionários que não realizam suas obrigações com a mínima competência necessária para o cargo? Tem. Ninguém tem seus direitos prejudicados nesta proposta – só tem que arcar com as consequências de suas próprias decisões e ser competente para não ficar sendo pago para arrebentar com o futuro de nossos filhos, o que é muito razoável. E nossos filhos ganham finalmente o direito a uma educação de qualidade.

Que comece o mimimi.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 17/11/2016

A escola não tem que formar cidadãos. A escola tem que ensinar a matéria

Hoje às 11:00 deve entrar em debate no Senado Federal o Projeto de Lei 193/2016, que que inclui na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional o programa Escola sem Partido. Em tempos de sequestro do ensino em todas as esferas – fundamental, médio e superior – por militantes políticos que chamam doutrinação ideológica de pensamento crítico e cooptação partidária de vulneráveis exercício da cidadania, este projeto de lei é extremamente bem-vindo. 

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A escola não tem que “formar cidadãos”. Isso é uma balela criada por doutrinadores marxistas para justificar a cooptação de nossos jovens para as ideologias políticas que destruíram nosso país ao longo dos últimos treze anos e que acabaram de ser amplamente rejeitadas pelas urnas em nosso país, nos EUA e em grande parte da Europa.

A escola tem que ensinar a matéria de cada disciplina: ler, escrever, falar uma língua estrangeira, desenvolver o pensamento lógico-matemático, somar, subtrair, multiplicar, dividir, fazer regra-de-três, saber calcular os juros de um cartão de crédito, o que é uma alimentação saudável, exercícios físicos saudáveis, tocar um instrumento musical, noções de história e geografia, uso de ferramentas, manutenção de uma residência, construção de um móvel, conserto de um chuveiro, cálculo de um circuito com a espessura correta dos fios e aterramento, programação de computadores, procedimento para recorrer ao tribunal especial cível, economia doméstica com finalidade de investimento, abrir uma empresa, investir na bolsa de valores a longo prazo, etc. Coisas úteis de fato para a vida prática do indivíduo na realidade presente, não segundo a ideologia de gênero, a luta de classes ou a teoria esquerdopata do raio que o parta.

OBS: para quem achar que estou com um “viés à direita” ao dizer o que eu disse no parágrafo anterior, afirmo desde já que a doutrinação de besteirol direitopata aos moldes de “quem não tem competência não se estabeleça”, “objetivismo moral”, “princípio da não agressão”, “imposto é roubo” e outros lixos é igualmente inaceitável, mas que em toda minha vida acadêmica não vi um único caso de doutrinação deste tipo em sala de aula para menores de idade. A tática de lavagem cerebral de vulneráveis, até onde pude constatar, tem sido tipicamente usada pelos marxistas e outros esquerdistas. Perguntem a Luís Felipe Pondé, filósofo de direita assumido, se ele tem notícia de escolas ou departamentos universitários que apresentem um quadro balanceado de filósofos ou sociólogos de todos os matizes ideológicos em sala de aula, ou se o que ele recebe são milhares de notícias de gente sendo perseguida em sala de aula por não concordar com os dogmas da esquerda.

A formação da cidadania não se dá pela doutrinação ideológica do aluno, mas pela sua capacitação intelectual e operacional no mundo moderno. Tornar-se cidadão não é decorar uma cartilha política e passar a impor um padrão de pensamento e ação política em busca de um ideal de sociedade, é saber se virar com sagacidade, ética e competência no mundo real, construindo na sua vida cotidiana um ambiente de sucesso.

De tudo isso que afirmo decorre naturalmente que é imprescindível realizar uma reforma profunda nos currículos escolares. Disciplinas que parecem ser engrandecedoras e cuja presença nos currículos parece razoável – como filosofia e sociologia – há muito se tornaram meros espaços de doutrinação ideológica. Disciplinas que deveriam servir para que os alunos compreendam como nossa civilização se desenvolveu e qual a estrutura e funcionamento do mundo atual – como história e geografia – há muito se tornaram ferramentas de distorção da realidade. Só há uma visão de mundo sendo apresentada para todos os nossos jovens em sala de aula e é a visão de mundo que leva grupelhos aparelhados a invadirem escolas e prejudicarem quem quer estudar, quem quer trabalhar, quem quer votar e quem quer ver o país avançar. É preciso eliminar este viés para podermos nos concentrar novamente na questão curricular, que é essencial.

O projeto não é perfeito. Esta é a descrição apresentada pela Agência Senado

O projeto defende a neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado; o pluralismo de ideias no ambiente acadêmico; a liberdade de aprender e de ensinar; a liberdade de consciência e de crença; o reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado; a educação e informação do estudante quanto aos direitos compreendidos em sua liberdade de consciência e de crença; e o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções.

O projeto estabelece que o  poder público não se imiscuirá na opção sexual dos alunos nem permitirá qualquer prática capaz de comprometer, precipitar ou direcionar o natural amadurecimento e desenvolvimento de sua personalidade, em harmonia com a respectiva identidade biológica de sexo, sendo vedada, especialmente, a aplicação da teoria ou ideologia de gênero. (…)

Também deve ficar explícita a proibição de propaganda político-partidária em sala de aula e a incitação a manifestações. O projeto estabelece ainda prevê que o professor – ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas – apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.

Estou extremamente preocupado com este absurdo de impor um desenvolvimento de personalidade vinculado à identidade biológica de gênero, porque isso é uma violência contra os gays, lésbicas e transexuais, mas concordo totalmente que não se deve tolerar a malfadada teoria de gênero que considera o gênero uma “construção social”. É fundamental eliminar o ranço intolerante que permite a violência psicológica contra o aluno homossexual ou transexual para que o projeto possa cumprir sua finalidade de nos livrar do ranço esquerdista sem nos fazer retroceder na garantia dos direitos e liberdades individuais que devem pautar um país civilizado que respeita todos os seus cidadãos. Este item precisa ser erradicado, porque consiste exatamente no mesmo abuso autoritário e intolerante que a esquerda sempre cometeu. Não é razoável que simplesmente passemos a cometer os abusos opostos.

Se queremos uma escola sem partido, que seja uma escola sem partido de esquerda e sem partido de direita. Que seja uma escola voltada para o engrandecimento intelectual e a capacitação técnica do cidadão. Que seja uma escola que respeite cada indivíduo em sua essência, sem tentar impor este ou aquele princípio de moralidade ou postura política, que são coisas que cabem ao desenvolvimento cultural de uma sociedade, não à doutrinação em sala de aula. Que a sala de aula ensine o respeito a todo o indivíduo que não causa mal a terceiros e pronto, sem impor nem proibir este ou aquele tipo de pensamento político, religioso ou sexual. Se não é papel da escola impor uma direção, também não é papel da escola impor a outra.

Também não se pode permitir que o projeto sirva de porta de entrada para a introdução de pseudo-ciências no currículo escolar em função da necessidade de apresentar “as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes” e com isso trazer o criacionismo, a astrologia, a terapia quântica ou alguma outra balela pseudo-científica para a sala de aula. Isso não está em foco agora, mas é 100% garantido que algum safado vá tentar fazer isso caso o projeto seja aprovado.

Vivemos em tempos difíceis. Os principais grupos em luta pelo poder e pela hegemonia cultural em nossa sociedade não são ingênuos e se aproveitam de qualquer oportunidade para forçar a expansão de suas agendas ideológicas. Se quisermos garantir um mínimo de sanidade para nosso futuro próximo, precisamos ficar muito atentos e fazer toda a pressão que for possível fazer para que a razoabilidade e o bom senso prevaleçam.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/11/2016

A cultura de submissão e o massacre na boate gay de Orlando

Eu já estou cansado de repetir isso, mas lá vai de novo: a primeira morte no massacre de Orlando foi causada pelo maluco assassino. Todas as demais mortes foram causadas pela prepotência e estupidez dos desarmamentistas organizados, pela famigerada imposição desarmamentista e pela cultura de submissão e covardia propagada por canalhas com pretensões fascistas e inocentes úteis com pretensões “politicamente corretas”. 

Gun Free Zone
Esta figura esclarece totalmente a estupidez desarmamentista.

Eu juro que eu adoraria compreender como funciona a mente desarmamentista, porque ela é irracional demais para que eu possa entender sua “lógica”. Basicamente, um desarmamentista pensa assim: “se as zebras não correrem nem derem coices, elas estarão seguras do ataque dos leões”. Tudo bem se um desarmamentista quiser apostar a sua própria vida nesta tese estúpida. O problema é que eles querem apostar a vida dos outros. E estão conseguindo, o que é impressionante, porque significa que muita gente está de acordo com uma tese simplesmente suicida.

O massacre ocorrido na boate gay em Orlando foi apenas mais um – não foi o primeiro e não será o último – massacre causado pelo prepotente e estúpido wishful thinking desarmamentista. “Especialistas” incapazes de somar dois e dois estão vomitando abobrinhas na grande mídia, dizendo que o problema é a facilidade com que o cidadão honesto obtém armas. Só que não. O problema é a dificuldade que o cidadão honesto tem para usar armas. Afinal, a boate gay em Orlando era uma “gun free zone“, uma “área livre de armas”. Livre para o cidadão honesto, óbvio, mas não para o assassino que promoveu o massacre.

Se a bicharada portasse revólveres e pistolas na mesma proporção em que portava camisinhas, quantas teriam virado purpurina na boate? Meia dúzia? Provavelmente nem isso. Se um percentual expressivo dos boêmios daquela fatídica noite estivesse armado, teria sido possível fazer um grande grupo de refém dentro do espaço de um banheiro? Nem pensar. Mas eu já estou cansado de explicar repetidamente o óbvio.

Mais armas nas mãos dos cidadãos honestos teriam salvo literalmente dezenas de vidas naquela noite.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/06/2016

Chamamento aos profissionais da saúde para um debate

Em O mundo assombrado pelos demônios, de Carl Sagan, consta a citação de um trecho traduzido de The ethics of belief, de William K. Clifford, que reproduzo (com algumas correções) logo abaixo. Leia com atenção. Depois eu volto. 

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Um proprietário de navios estava prestes a mandar para o mar um navio de emigrantes. Ele sabia que o navio estava velho, e nem fora muito bem construído; que vira muitos mares e climas, e com frequência necessitara de reparos. Dúvidas de que possivelmente não estivesse em condiıes de navegar lhe haviam sido sugeridas. Essas dúvidas lhe oprimiam a mente e o deixavam infeliz. Ele chegou a pensar que o navio talvez tivesse de ser totalmente examinado e reequipado, ainda que isso lhe custasse grandes despesas.

No entanto, antes que a embarcação partisse, ele conseguiu superar essas reflexões melancólicas. Disse para si mesmo que o navio passara por muitas viagens e resistira a muitas tempestades em segurança, que era infundado supor que não voltaria a salvo também dessa viagem. Ele confiaria na Providência, que não podia deixar de proteger todas essas famílias infelizes que estavam abandonando a sua terra natal em busca de dias melhores em outro lugar. Tiraria de sua cabeça todas as suspeitas mesquinhas sobre a honestidade dos construtores e empreiteiros.

Dessa forma, ele adquiriu uma convicção sincera e confortável de que o seu navio era totalmente seguro e capaz de resistir às intempéries; assistiu sua partida de coração leve e cheio de votos bondosos para o sucesso dos exilados naquele que seria o seu estranho novo lar; e embolsou o dinheiro do seguro, quando o navio afundou no meio do oceano, sem contar histórias a ninguém.

O que devemos dizer desse homem? Sem dúvida, o seguinte: que ele foi de fato culpado da morte desses homens. Admite-se que ele acreditava sinceramente nas boas condições de seu navio; mas a sinceridade de sua convicção não o ajuda de modo algum, porque ele não tinha o direito de não acreditar na evidência que estava diante de si. Não adquirira a sua opinião conquistando-a honestamente pela investigação paciente, mas reprimindo as suas dúvidas…

William K. Clifford, The ethics of belief (1874)

AGL

Voltei.

Pergunto: o que se pode dizer de um profissional da saúde que tem em mãos o mesmo tipo de responsabilidade e poder de decisão que o dono do navio da história acima? Se houver a menor chance de que suas convicções estejam equivocadas – por exemplo, se houver alguém que alegue ter evidências de alto nível que provem que suas convicções estão equivocadas – terá o profissional da saúde o direito de não examinar as novas evidências ou de não acreditar nelas? Ou, agindo assim, ele se tornará de fato culpado por todo o sofrimento e por todo o desfecho negativo que vier a sofrer qualquer um de seus pacientes, por mais que ele confie sinceramente que está fazendo o melhor que pode? 

Respondo: pelos mesmos motivos pelos quais o dono daquele navio não tinha o direito de lançá-lo ao mar sem uma profunda e adequada verificação de seu estado, especialmente no caso de alguém o haver informado de um possível defeito ou mau funcionamento, eu penso que um profissional da saúde não tem o direito de não fazer constantemente uma verificação profunda e adequada na mais recente e qualificada informação publicada sobre seu ramo de atuação e muito menos de ignorar as evidências científicas de mais alto nível disponíveis. 

Dito isso… 

Eu afirmo que há evidências fortes de que as orientações nutricionais tradicionais, baseadas na pirâmide alimentar, estão erradas e causam malefícios à saúde humana. 

Eu afirmo que há evidências fortes de que uma dieta paleolítica de baixíssimo carboidrato é a orientação nutricional mais adequada para o tratamento da síndrome metabólica, da obesidade, da diabetes, da hipertensão, do risco cardíaco e de outras enfermidades como o TDAH, a depressão e o mal de Alzheimer, além de diversas outras condições crônico-degenerativas. 

Eu afirmo que as evidências que citei são de alta qualidade, que muitas delas estão amplamente disponíveis a custo zero e que eu estou disposto a ajudar qualquer profissional da saúde e qualquer leigo interessado em cuidar melhor de sua saúde a localizar, avaliar e debater algumas destas evidências. 

Assim sendo, convido todos os leitores, especialmente os profissionais da saúde, a divulgar este artigo nas redes sociais, a ler e avaliar com atenção e profundidade as evidências científicas sobre a dieta paleolítica e sobre as dietas de baixo carboidrato e a participar deste debate aqui na caixa de comentários do Pensar Não Dói (não nas redes sociais, porque lá os tópicos “afundam” e se tornam inacessíveis muito rapidamente). 

Sugiro em primeiro lugar a leitura do artigo Meta-análise comprova: dieta paleolítica é a mais saudável

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/08/2015 

Em um país civilizado

Em um país civilizado, você não entra em pânico quando sua filhinha de dois anos de idade se perde na multidão na beira da praia. Você caminha tranquilamente até a frente da casinha do salva-vidas e encontra alguém construindo um castelo de areia com sua filha esperando que você apareça.

Brincando com as crianças na praia

Em um país civilizado, você não tem prejuízo quando seu carro aparece amassado no estacionamento do supermercado. Você encontra sob o limpador de pára-brisas um bilhete dizendo o seguinte:

“Amigo, desculpe pelo incômodo. Eu estava com pressa para comprar uns copos descartáveis extras para a festa de aniversário de meu filho, hoje à noite, e fui imprudente ao manobrar. Por favor, telefone-me assim que puder para que eu possa mandar consertar a porta do seu carro: (99) 9999-9999. Atenciosamente, Fulano.”

Em um país civilizado, a pessoa que bateu em seu carro também não vai se incomodar com uma atitude destemperada da sua parte. Isso porque você vai mandar a seguinte mensagem para o celular que ele deixou no bilhete:

“Fulano, aqui é o dono do carro do pequeno acidente ocorrido hoje no supermercado. Agradeço sua gentileza. Aproveite a festa de seu filho, amanhã telefonarei para conversarmos. Parabéns ao garoto. Atenciosamente, Beltrano.”

Em um país civilizado, uma pessoa completamente desconhecida bate em sua porta, diz que é uma emergência, pede para usar o banheiro e você não somente não tem medo como convida a pessoa para entrar e informa: “pois não, é naquele corredor, primeira porta à direita”.

Em um país civilizado, um grupo de garotos com 12 a 14 anos passa a pé pela frente de sua casa portando pistolas e rifles de verdade e uma sacola de munição, você reconhece o filho do vizinho entre eles, acena para ele e ele acena de volta e faz um convite:

“Olá, Sra. Sicrana! Hoje é dia de prática de tiro na escola. As aulas são abertas para a comunidade. A senhora gostaria de vir praticar conosco?”

Em um país civilizado, você saca a sua Magnum .357 cor de rosa da cintura, mostra para eles e responde:

“Obrigado, garotos, mas eu já passei a noite de ontem praticando no clube de tiro.”

Em um país civilizado, você entra na farmácia para comprar um antibiótico sem receita – afinal, você não é um debilóide e aprendeu na escola quando e como se usa um antibiótico – e encontra o farmacêutico jogando fora alguns pacotes de medicamento. Você fica curioso, pergunta o que ele está jogando fora e ele responde:

“Cocaína. Passou do prazo de validade.”

Em um país civilizado, você percebe que dormiu um pouco demais no dormitório climatizado que toda empresa provê para os funcionários sestearem após o almoço, se levanta com pressa e pede desculpas ao gerente pelo atraso. Mas ele responde o seguinte:

“O mais importante é a sua saúde. Se houvesse muita necessidade nós teríamos chamado você. Não se preocupe, volte ao trabalho descansado.”

Em um país civilizado, você não se preocupa com quanto tempo o seu carro biocombustível vai ter que ficar na oficina mecânica para fazer a retífica do motor. Você simplesmente abre um aplicativo no seu smartphone pedindo transporte do lugar x ao lugar y às z horas e sempre aparece alguém que tem o mesmo aplicativo e se oferece para levar você por pouca coisa mais que o preço do combustível gasto no trajeto.

Em um país civilizado, se você quiser aprender a fazer qualquer coisa, de consertar encanamentos a neurocirurgia, de fazer malabarismo sobre pernas de pau a construir um guindaste elétrico com um torno mecânico e peças reaproveitadas de um carro acidentado, tudo que você precisa fazer é ligar para a universidade mais próxima, programar um curso que atenda às suas necessidades e agendar um horário de aulas conveniente.

Em um país civilizado, se você estiver nua pegando um sol no seu intervalo de almoço na praça pública toda florida que fica em frente à empresa e o entregador de sushi chegar, você simplesmente agradece a entrega, come o sushi e volta a deitar nua em sua esteira para aproveitar mais uns dez minutos de sol assistindo duas crianças jogarem uma partida de xadrez.

Em um país civilizado, se você deixa o último pacote de fraldas descartáveis cair dentro da banheirinha às 3h da madrugada, você liga 911, ou 190, e acontece o seguinte diálogo:

O atendente pergunta: “qual é a sua emergência?”.

Você responde “eu deixei cair o último pacote de fraldas descartáveis dentro da banheirinha”.

O atendente pergunta “qual o número da fralda? A senhora quer fralda para menino, para menina ou modelo unissex?”

Você responde: “quatro a seis meses, modelo unissex está ótimo, três pacotes”.

O atendente informa: “pois não, senhora. Três pacotes de fraldas descartáveis, tamanho de quatro a seis meses, modelo unissex. O valor será descontado na sua próxima fatura telefônica, com um acréscimo de $ 0.87 para cobrir os custos de deslocamento da viatura, já calculados pelo GPS. Dentro de 15 a 20 minutos estará em sua porta. Boa noite”.

Em um país civilizado, a expressão “fila da emergência” é incompreensível.

Em um país civilizado, se o seu filho de 12 anos quiser levar a AK-47 dele municiada para a sala de aula, ele será orientado a manter a arma travada, não apontar a arma para os coleguinhas e para os professores e só metralhar terroristas que invadam a sala atirando se o professor não conseguir eliminar a ameaça com sua própria arma.

Em um país civilizado, não existem buracos nas ruas. Nunca.

Em um país civilizado, você pode comprar álcool líquido 92,8° no supermercado. E também pode comprar dinamite, mas nesse caso é necessário apresentar a identidade. A carteira de motorista serve.

Em um país civilizado, ninguém cede seu assento para outra pessoa no transporte público. Não é necessário. Sempre há assentos vagos, em todos os horários.

Em um país civilizado, não existem cotas. De nenhum tipo. Todas as pessoas têm 100% de seus direitos garantidos. E sobram oportunidades de realização pessoal e profissional. 

Em um país civilizado, as pessoas são responsáveis e fortes entusiastas de uma atitude proativa em prol de uma vida melhor, mais segura, mais confortável, mais solidária e mais agradável – com exceção dos casos patológicos, que são tratados com muita compaixão porém muita firmeza.

Em um país civilizado, não é necessário fazer comentários sobre a qualidade dos políticos, empresários, líderes comunitários e formadores de opinião. Afinal, em qualquer país eles sempre refletem a cultura e o caráter do povo.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 24/01/2015 

Teoria da Evolução versus religião

Volta e meia eu leio ataques de religiosos à Teoria da Evolução e a Charles Darwin, normalmente afirmando que a Teoria da Evolução não tem evidências, que é apenas mais uma crença ou religião e que “se você veio do macaco, o problema é seu, porque eu vim de Deus”. #sóquenão 

árvore filogenética

A Teoria da Evolução é uma das mais bem estabelecidas e importantes teorias científicas já produzidas. A Teoria da Evolução é tão bem estabelecida e importante que é a teoria unificadora das ciências biológicas e da saúde (e outras ciências derivadas que não vou citar agora para não gerar polêmica e desviar o assunto, mas futuramente podemos discutir isso).

Afirmar que não existem evidências da evolução só tem duas explicações: ou ignorância, ou má fé. O nível de evidência da Teoria da Evolução é monumental. Temos desde seqüências fósseis até linhas filogenéticas de DNA produzidas por estudos taxonômicos altamente refinados por análise multivariada e análise de cluster feitas por supercomputadores. Tudo isso longamente revisado e criticado por uma comunidade científica das mais qualificadas e atuantes (porque, embora as noções gerais da evolução sejam simples, os detalhes são muito complexos, e o assunto é apaixonante).

Os religiosos sempre tentam desqualificar a ciência como apenas mais uma religião, o que não deixa de ser uma ironia hilária. Mas eu não discuto mais com eles. Francamente, não há muito o que discutir com alguém que acredita que um judeu morto há dois mil anos era filho de uma virgem com o próprio criador do universo, que também era ele mesmo, e que ressuscitou, subiu aos céus pelas próprias forças, está vivo em algum lugar há todo este tempo e vai voltar do céu a cavalo, junto com quatro cavaleiros que vão causar terremotos tocando trombetas e ressuscitar bilhões de cadáveres decompostos só para lançá-los em um lago de fogo eterno para sofrerem por toda a eternidade as dores excruciantes e imitigáveis de queimaduras terríveis e constantes em nome do amor de Deus.

Fala sério, quem acredita NISSO tem alguma credibilidade para questionar as supostas inconsistências de uma teoria científica muito bem estabelecida, ou para questionar a suposta falta de *evidências* de qualquer coisa? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 31/12/2014

(*) Originalmente postado aqui