Você NUNCA pode baixar a guarda

Você conhece aquelas famosas frases que dizem que “o preço da liberdade é a eterna vigilância” e que “si vis pacem, para bellum” (“se queres a paz, prepara-te para a guerra”)? Ontem eu caí em uma armadilha maldosa que me fez recordar de ambas e apreciar sua terrível sabedoria.

Lula, o chefe da quadrilha criminosa que saqueou o Brasil por treze anos, foi condenado a nove anos e meio de prisão ontem. Como todo brasileiro decente, eu comemorei. Feliz com a notícia, eu a compartilhei no maior grupo de Esperanto do Facebook. E, quando você estiver lendo este artigo, eu já deverei ter sido expulso do grupo, sem poder explicar o que acontceu aos mais de vnte e dois mil membros.

Logo depois que eu postei a notícia, um sujeito me perguntou por que eu “acho” que Lula é um criminoso. Como resposta eu postei o link para a sentença condenatória. Obviamente, a sentença está em português. O sujeito me perguntou, em Esperanto, se havia versão em Esperanto. Eu disse que não, mas que todo brasileiro minimamente sagaz sabe muito bem que Lula é um criminoso.

O sujeito fez de conta que não sabia de nada e pediu explicações. Ao mesmo tempo, chamou um “amigo”. O “amigo” já entrou no tópico me ofendendo, falando palavrões, fazendo aquela baixaria normal que todo esquerdista militante faz o tempo todo, porque isso é a vida deles. Enquanto isso, o interlocutor original fazia deboches.

Logo que eu percebi que eram dois esquerdistas, eu decidi não discutir. Porém, como os dois estavam avacalhando o tópico, eu postei algumas explicações para terceiros. No meio da enxurrada de lixo e ofensas que me lançavam, eu descobri que ambos falavam português. E o interlocutor original havia dito textualmente que não falava português… Só que, depois de dar uma olhada no perfil dele, eu descobri que o cara tinha até feito campanha para o Freixo.

O que eu tinha em mãos? Um canalha que estava mentindo que não entendia o que eu dizia e outro canalha que estava ali só para me ofender. E eu caí na armadilha – fiquei irritado e xinguei de volta.

Logo a seguir, um terceiro canalha chamou um moderador e pediu a minha expulsão do grupo – só a minha – por ter usado de linguajar inadequado e “discurso de ódio”. Só que “discurso de ódio”, como todo mundo sabe muito bem, é o típico vocabulário pervertido que os equerdistas usam para se identificar para os outros membros da quadrilha. Então, fui conferir o perfil do sujeito – e lá estava um monte de propaganda do Lula.

Quem iria tomar a decisão, obviamente, era o moderador. Então, fui olhar o perfil do moderador chamado – e lá estava um grande símbolo da foice com o martelo.

Como você pode imaginar, num contexto assim não existe a menor possibilidade de diálogo ou de justiça. Um canalha mentiu para mim, outro canalha debochou de mim, outro canalha pediu minha expulsão e certamente outro canalha me expulsará – porque é assim que a esquerda age. NINGUÉM da esquerda é decente. É um bando de canalhas com sede de poder e qualquer espaço tem que ser ocupado e dominado, com quem os critica sendo silenciado à força, fazendo entretanto parecer para os otários que há um justo motivo para suas ações. E há um bando de otários que acredita ou convenientemente finge acreditar que há justificativas para as indecências e os crimes da esquerda.

Nós estamos em uma guerra permanente. Estes pervertidos e os otários que caem nas suas mentiras são uma ameaça constante, incansável, que aproveita qualquer instante, qualquer chance, qualquer descuido para causar o maior mal possível contra quem não os apoia.

Se não houvesse tanta gente estúpida, alienada e iludida no mundo, estes criminosos abjetos não teriam chance alguma de sequestrar e massacrar povos inteiros como fazem em todos os lugares em que podem fazer. Não existe um único país no mundo que eles tenham dominado e no qual eles não tenham promovido degradação moral, miséria econômica e opressão política, normalmente após serem eleitos explorando a estupidez e a ganância de quem acha que vai se dar bem votando em quem põe a culpa de todos os males do mundo em quem tem sucesso e promete benesses com o chapéu alheio.

Eu fui expulso de um grupo de Facebook que eu gostava. O povo da Coréia do Norte é massacrado e trabalha de domingo a domingo em campos de concentração. O povo de Cuba vive uma ditadura que fuzilava no paredão quem queria sair de lá. O povo da Venezuela vive a pior crise econômica da história do país, com a fome tomando conta do país, milhares de pessoas comendo lixo para sobreviver e guerrilhas assassinas armadas pela ditadura para matar os opositores. Mas você não vê uma única voz da esquerda falando de modo firme, claro e contundente contra estas atrocidades, dizendo que estes criminosos precisam ser apeados do poder, julgados, condenados por crimes contra a humanidade e encarcerados. Nem verá nenhum esquerdista condenando a sacanagem que me aprontaram. A canalhice e a maldade imperam em todos os níveis entre eles.

Você vê, entretanto, canalhas discursando contra a “opressão da mulher” no Brasil enquanto se calam sobre a opressão da mulher nos países islâmicos, canalhas se queixando contra a “homofobia” no Brasil enquanto apoiam a ditadura do tirano que acusou seu adversário de “maricona” na Venezuela, canalhas acusando o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal a Polícia Federal e o Ministério Público Federal de “golpistas” e que no entanto tentaram impedir o funcionamento do Senado Federal à força.

Estes canalhas querem escravizar você. Foi isso que eles fizeram com os povos que eu citei acima. Foi isso que eles tentaram fazer e que foi felizmente abortado no Brasil. Foi isso que eles fizeram num simples grupinho de facebook quando puderam. A essência deles é má, perversa, mentirosa, nada do que eles falam pode ser levado a sério ou respeitado. Eles representam uma ameaça constante que precisa ser combatida a cada minuto pelo resto de nossas vidas. É horrível isso? É. Mas você não tem escolha.

Ou você entende isso e fica alerta, luta para conscientizar mais pessoas, participa de um movimento de higienização da política, removendo pelo voto estes canalhas perigosos de nossas vidas, ou mais hora, menos hora, a degradação moral, a conflagração social e a criminalidade vão subir tanto que se tornará impossível viver com a mínima segurança não interessa onde você viva, o caos vai imperar e os canalhas vão enganar de novo milhões de iludidos e voltar ao poder, com sede de vingança, e você será o alvo.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/07/2017

Vermilândia – um país de covardes

Aqui não é a Macacolândia, é a Vermilândia – um país de covardes. Meu pai foi assaltado hoje à tarde. No centro de Porto Alegre, com CENTENAS de pessoas ao redor. Ele estava olhando a vitrine de uma loja com minha mãe quando um canalha o agrediu pelas costas e outro enfiou a mão no bolso dele e roubou todo o dinheiro que ele carregava. Ambos tem mais de setenta anos. VÁRIAS pessoas viram tudo o que aconteceu e NINGUÉM esboçou qualquer reação. Eram apenas DOIS covardes agredindo pessoas de idade no meio de centenas de pessoas que se ACHAM cidadãs e não fizeram NADA. Os vermes que se omitiram são ainda mais covardes do que os ladrões.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 23/06/2017

A solução para o problema dos presídios brasileiros

Acho que você sabe qual é a solução para o problema dos presídios brasileiros. Pelo menos para mim, a solução é tão óbvia, mas tão óbvia, mas tão óbvia, que eu fiquei em dúvida se deveria escrever este artigo. Afinal, só vou poder dizer o óbvio. Mas vamos lá, que neste país o óbvio precisa ser dito e mesmo assim dificilmente é entendido… 

Em primeiro lugar, um presídio planejado para receber no máximo 250 presos tem que receber no máximo 250 presos, não pode receber 600. Não é óbvio? Quem na face da Terra não sabe que a superlotação é a mãe de todos os problemas de qualquer presídio?

Em segundo lugar, não tem que haver presídios com capacidade para mais do que uns 250 presos. Não é um número absoluto, é um número razoável. Quanto maior a unidade prisional, mais difícil é de gerenciar seus sistemas de segurança e mais grave é qualquer problema que aconteça.

Em terceiro lugar, o Código Penal brasileiro prevê detenção para alguns crimes e reclusão para outros crimes. Os critérios para esta diferenciação são técnicos: dizem respeito à gravidade dos crimes cometidos e de certo modo à periculosidade do preso. Portanto, os presos precisam ser divididos em detentos e reclusos e precisam ser fisicamente separados segundo esta classificação e segundo outras sub-classificações que já vou explicar. E “separados” significa “em presídios separados”, não podem ficar na mesma unidade.

Em quarto lugar, novatos e reincidentes não devem ser colocados no mesmo presídio. Os presídios precisam ser locais não somente de cumprimento de pena mas de redução da probabilidade de que o preso volte a cometer crimes quando sair de lá. Uma sociedade que não se importa com a qualidade de vida dos presidiários, dos serviços prisionais e das estratégias de ressocialização e preparação para o reingresso do preso no mercado de trabalho está literalmente promovendo uma escola do crime em cada um de seus presídios. 

Em quinto lugar, membros de facções rivais não podem ser colocados nos mesmos presídios. Só um alienígena não sabe que a principal causa de massacres nos presídios hoje em dia é guerra entre facções rivais. Não se pode confiar em uns poucos muros ou grades para evitar estas carnificinas, é necessário uma distância que inviabilize o conflito completamente.

Em sexto lugar, as celas devem ser individuais. Cada preso tem que ter a tranquilidade de poder dormir sem medo de ser esfaqueado durante a noite por não ter se unido a uma das facções que permanentemente tentam assumir o controle dos presídios e crescer cooptando novos presos – muitos dos quais se unem às facções pelo simples medo de morrer de um modo bem ruim.Além disso, celas individuais deixam o sujeito que não quer estudar nem trabalhar sozinho o dia inteiro, o que é um forte estímulo para que o preso se engaje nestas atividades.

Em sétimo lugar, todo preso deve ter a oportunidade de estudar e de trabalhar dentro dos presídios. Não somente a oportunidade, mas um estímulo bem razoável. Por exemplo, certas regalias no que diz respeito ao conforto da cela, ao tempo de banho de sol, à prática de esportes, à diversidade na alimentação, ao acesso a oportunidades de lazer e outros podem ser condicionados ao bom comportamento, estudo e trabalho nos presídios. Obviamente, isso não significa que os presos que se negarem a estudar e a trabalhar devam ser maltratados. Nada disso. Simplesmente devem ter um “kit básico” decente de prisão, mas sem as regalias reservadas a quem se esforçar por ter bom comportamento, estudar e trabalhar.

Em oitavo lugar, e aqui eu finalmente começo a dizer coisas que não são tão óbvias, os presos não devem confraternizar entre si sem supervisão. Cada detento ou recluso deve ter privacidade nos presídios para dormir e para usar o banheiro sozinho e em paz, mas nunca conviver com os demais presos de sua unidade sem supervisão. Essa supervisão pode ser pessoal ou eletrônica, mas tem que ser permanente e muito eficaz. Por exemplo, pode ser feita com câmeras ambientais e colares com gravadores que só precisariam ser vestidos nos momentos de interação com os outros presos. Não quer se submeter ao uso do colar durante o banho de sol ou o futebol? Tudo bem, camarada, fica na tua cela. Sozinho.

Em nono lugar, o preso tem que receber um bom exemplo por parte do corpo funcional dos presídios. Não é qualquer pessoa que pode ser agente prisional. É necessário que sejam pessoas comprometidas de fato com a ressocialização dos presos, que os tratem com educação e formalidade sem ser artificiais, que saibam ser disciplinadas antes de tentar disciplinar os presos, que tenham o tempo todo em mente que sua função não é punir os presos – isso é feito pela privação de liberdade – e sim reduzir as chances de que eles voltem a cometer crimes quando não estiverem mais presos.

Em décimo e último lugar, os presídios precisam ser comparados com outros presídios do mesmo país e de outros países para avaliar suas condições físicas, suas características de funcionamento, seus graus de reincidência, suas taxas de incidentes e outros parâmetros importantes para o sucesso da missão dos presídios – afastar o preso da sociedade por um tempo e prepará-lo para retornar à sociedade de modo que não cometa novos delitos e se torne um cidadão respeitável e produtivo.

Acho que falei somente o óbvio nos sete primeiros itens e o quase óbvio nos últimos três itens. Gerenciar presídios não é um assunto complicado. Não é nem sequer um assunto difícil. Basta ter os objetivos corretos e pensar com bom senso. Não se reduz a criminalidade com truculência, violência, humilhações ou maus tratos. Pelo contrário, isso estimula o agravamento da criminalidade, vitimando não somente os presos, mas a toda a sociedade.

Os presídios pioram com a superlotação. Os presos precisam ser adequadamente separados. Os novatos pioram em contato com os reincidentes. Os independentes pioram em contato com as facções. Os inofensivos pioram em contato com os violentos. As facções pioram em contato umas com as outras. O sistema todo piora se gerenciado por pessoas que não se importam em oferecer um bom exemplo para os presos, dos diretores dos presídios aos agentes penitenciários da linha-de-frente. Os presídios precisam ser bons centros educacionais, porque deles depende nossa segurança depois que os presos cumprem suas penas e retornam à sociedade. São princípios bem simples e fáceis de implementar se os gestores públicos quiserem e decidirem fazer a coisa certa do jeito certo. E aí entra a sua parte neste assunto.

O que você está dizendo nas redes sociais ou nos almoços em família sobre os massacres ocorridos nos presídios do norte do país? Você está ajudando a reduzir a histeria e a trazer esclarecimento e entendimento sobre a questão dos presídios? Em que tipo de candidato você está votando? Você já escreveu alguma coisa sobre a questão dos presídios para algum político em que você tenha votado? Sua contribuição pode ser pequena, mas que seja positiva.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 23/01/2017

Não foi acidente, foi homicídio. Houve negligência

Errei: não foram nem o piloto, nem as regras estúpidas. Foi a negligência dos países da América Latina quem matou a equipe da Chapecoense. O piloto tinha histórico conhecido e registrado de voos em completo desrespeito às normas de segurança da aviação quanto ao combustível reserva. Mesmo assim, nenhuma autoridade da Bolívia, da Colômbia, da Argentina ou do Brasil tomou qualquer providência.

Entenda as regras de segurança

Imagine que você vai decolar do aeroporto A e aterrissar no aeroporto B. As regras da aviação exigem que a aeronave tenha sempre combustível de sobra no mínimo para mais meia hora de voo além do percurso planejado, não de A até B, mas de A, passando por B, até um aeroporto C, mais meia hora de voo.

Você tem que poder decolar de A, chegar em B, encontrar B fora de condições de aterrissagem por um motivo qualquer (por exemplo, um acidente), dirigir-se para C e ainda poder aguardar meia hora em sobrevoo até poder pousar.

Negligência latina

O avião Avro RJ 85 tem autonomia de voo de 4 h 22 min, ou 2985 km. Isso significa que qualquer plano de voo com esta aeronave acima de 3 h 52 min é ilegal. Pois bem. Eu selecionei seis voos da Lamia em uma tabela publicada pelo Diário Catarinense:

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Todos os tempos de voo mostrados na tabela acima são tempos de voo real, realizados com tripulantes e passageiros à bordo, entre um aeroporto A e um aeroporto B, por uma aeronave com 3 h 52 min de autonomia legal máxima não entre A e B, mas entre A, B e C. Quatro destes voos tiveram duração superior à autonomia máxima da aeronave, o que por si só já deveria ter provocado uma investigação. Segundo a reportagem da VEJA, o último contato antes da queda do avião foi após 4 h 37 min de voo. Isso indica que em duas outras ocasiões o avião esteve a apenas 4 ou 5 minutos de cair, talvez menos, dependendo das condições específicas do voo. Em duas outras ocasiões o avião esteve a apenas 9 ou 10 minutos de cair.

Não somente estes voos jamais poderiam ter sido autorizados, como certamente muitos outros voos desta aeronave certamente e de muitas outras provavelmente foram e estão sendo autorizados em total desacordo com as normas de segurança da aviação em toda a América Latina.

Não foi acidente, foi homicídio

A diferença entre homicídio doloso e homicídio culposo é que no homicídio doloso o agente quer produzir o resultado do crime, ou assume a possibilidade de produzi-lo (o que se chama “dolo eventual”), enquanto no homicídio culposo o agente não quer produzir o resultado do crime, mas o produz por negligência, incompetência ou imperícia. Vou deixar ao pessoal da área do direito o debate técnico se o que aconteceu foi dolo eventual ou negligência, porém, deixando barato que seja apenas negligência, o fato é que foi homicídio.

Enquanto não pararmos de pensar “coitadinha da funcionária do aeroporto que autorizou o voo, como é que ela ia saber que uma coisa dessas podia acontecer?” ou “coitadinho do despachante da Lamia, ele só estava obedecendo o que mandaram ele fazer”, essas coisas vão continuar acontecendo. A função daquela funcionária era evitar as mortes que ocorreram. A função daquele despachante era certificar-se de que todos os aspectos legais pertinentes ao voo estavam corretos. Os dois precisam ir para a cadeia por homicídio. E provavelmente não somente eles.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/12/2016

Leia também: A Tragédia do Jeitinho.

Regras estúpidas derrubaram o avião

Não foi a falta de gasolina. Regras estúpidas derrubaram o avião que transportava o time da Chapecoense. 

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Antes de prosseguir a leitura, clique aqui e leia este artigo.

Leu? Pois bem: assim como regras estúpidas mataram o repórter da Band, regras estúpidas mataram o piloto, o time da Chapecoense e os repórteres que os acompanhavam. E não é difícil entender o motivo.

Imagine que você fez uma grande besteira. Por exemplo, resolveu voar somente com o combustível necessário para o trajeto, com pouquíssimo ou quase nenhum combustível de reserva. Você não tem a intenção de se ferrar, você não é suicida, você fez uma besteira. Não vou discutir se foi por ganância, por prepotência, por aperto financeiro, por estupidez, por erro de cálculo, por falha de protocolo ou por qualquer outra causa. Não importa o motivo, importa que a besteira está feita e que você acabou de perceber que está numa encrenca.

O que é a coisa mais razoável a fazer a partir do momento em que você percebe o problema?

A coisa mais razoável a fazer é resolver o problema com tranquilidade, pensar de maneira objetiva, sem conflitos de interesse e sem distrações, de modo que o problema possa ser resolvido da melhor maneira possível, certo?

Pois bem… O piloto do avião era o dono da companhia aérea. Ele sabia que, se declarasse emergência por não ter combustível suficiente, receberia uma multa imensa, que poderia inviabilizar financeiramente sua empresa. Ele tinha todo o interesse do mundo em aterrissar em segurança, mas as regras estúpidas que multam quem declara emergência por ter cometido uma besteira prévia cria um conflito de interesses importante. Se cair com o avião acabaria com a vida do piloto, como de fato acabou, ser multado em um valor alto também acabaria com a vida dele, ou ao menos ele se sentia assim a ponto de achar que valia a pena arriscar mais um minuto antes de declarar emergência.

Entenda isso: se não houvesse a multa, o piloto não teria hesitado. Não teria dúvidas quanto ao que seria mais adequado fazer, porque não teria conflito de interesse algum. Não teria decidido arriscar mais uns minutos de voo antes de declarar emergência. Não teria matado ninguém. Regra estúpidas matam.

A maneira certa de coibir o que aquelas regras estúpidas tentam coibir de modo inepto é outra. A maneira certa de coibir o voo com combustível insuficiente é vistoriar a quantidade de combustível de cada aeronave imediatamente após o pouso. Não interessa se tudo deu certo ou não. Não interessa se o piloto declarou emergência ou não. Só o que interessa é se as regras de segurança foram cumpridas. É assim que as coisas deveriam ser feitas.

E perceba: também não interessa a minha opinião, a sua ou de quem quer que seja a respeito do “absurdo” de voar com pouco combustível ou do “absurdo” de ter conflito de interesses nesta ou em outra situação. Valores morais não podem ter relevância para o estabelecimento de protocolos de segurança exatamente porque as pessoas possuem diferentes valores morais e portanto diferentes percepções de prioridades, como atesta o fato de ter havido uma tragédia por causa disso.

O fato incontestável é que o conflito de interesses gerado pelas regras estúpidas que multam quem declarar emergência por infração das normas de segurança levou o piloto a postergar uma decisão gravíssima por tempo suficiente para ocasionar a tragédia e que isso não teria ocorrido se não fizesse a menor diferença declarar emergência ou não para o fim de multar a empresa.

Se a regra fosse como eu digo que deveria ser, devendo ser feita uma vistoria imediatamente após o pouso para verificar se a aeronave cumpriu as normas de reserva de combustível, aquele piloto nem sequer teria arriscado voar com pouca gasolina, porque a multa seria certa mesmo que o avião aterrissasse em perfeita segurança.

Conhecer bem a biologia do cérebro da idade da pedra do macaco falante é fator crucial para regulamentar adequadamente seu comportamento.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 1º/12/2016

As eleições nos EUA refletem uma tendência mundial preocupante

Não me importa que tenha vencido o Donald Trump. Não me importa que tenha perdido a Hillary Clinton. Não me importa que quem tenha votado nele ou nela tenha sido esta ou aquela fatia do eleitorado. O que eu percebi nestas eleições estadunidenses foi o embrutecimento dos partidos, dos eleitores, da imprensa, da política em geral, não só no contexto dos EUA mas em todo o mundo.

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Em primeiro lugar, a disputa pela candidatura no Partido Democrata foi um sufoco para Hillary. E quem foi que lhe deu aquele sufoco? Bernie Sanders, um socialista declarado. E o mais incrível é que as previsões eram de que Sanders teria mais chance do que Hillary de vencer Trump. Considerando o quanto todos sabemos a respeito do socialismo – um regime que em qualquer de suas versões só produziu degeneração moral, miséria econômica e autoritarismo político onde quer que tenha assumido o controle de um país – é simplesmente aterrador que os EUA tenham corrido o risco de ter um socialista na presidência da República.

Em segundo lugar, a disputa pela candidatura no Partido Republicano foi baseada na desconstrução dos adversários de Trump, numa prévia macabra do que seria a campanha eleitoral, e isso foi bem sucedido dentro do próprio partido, cujos filiados preferiram a política da desconstrução desde a fase da escolha de seu candidato, demonstrando um acirramento da intolerância no coração do partido.

Em terceiro lugar, a disputa pela presidência da República foi um show de horrores, com direito a baixaria explícita, ataques pessoais, desconstrução mútua, propostas impopulares e foco muito mais na promoção da rejeição do adversário do que em um debate que nem de longe se poderia chamar de “político” em um país minimamente civilizado – e se trata do país mais poderoso do mundo, tanto na política quanto na economia e também do ponto de vista bélico.

Em quarto lugar, a imprensa se mostrou parcial, “errou” totalmente em todas as análises e nos deixa sem saber se este erro se trata principalmente de incompetência (por não saber o que estava realmente acontecendo) ou principalmente de corrupção (por saber o que estava realmente acontecendo e dizer o contrário). Qual das duas hipóteses é mais assustadora é difícil de dizer com precisão, mas eu torço muito para que tenha sido predominantemente incompetência, embora sem nenhuma convicção.

Em quinto lugar, a preferência popular foi definida contra alguém muito mais do que a favor de qualquer coisa. Não quero discutir exemplos, porque isso tiraria o foco do que eu estou dizendo, mas sublinho que isso vale tanto no sentido de que muita gente dos dois lados votou muito mais contra um candidato do que a favor do outro e muita gente dos dois lados votou contra determinados grupos sociais ao invés de a favor de propostas justas e construtivas.

Em sexto lugar, estas eleições mostraram mais uma vez que a polarização da sociedade funciona eleitoralmente cada vez melhor. Tudo virou nós contra eles. Trump passou a campanha atacando os imigrantes. A culpa de tudo é dos outros, que tomam nossos empregos e nos trazem criminalidade. Hillary, derrotada, no seu primeiro pronunciamento tratou de atacar um suposto machismo. A culpa de tudo é dos outros, que são preconceituosos e dificultam a ascensão das mulheres. Perceba: qualquer semelhança entre esta dinâmica e a campanha de xenofobia e intolerância que levou ao Brexit não é mera coincidência. É o mesmo fenômeno, trocando os mexicanos pelos poloneses e os cartéis do narcotráfico pelos extremistas islâmicos.

Em sétimo lugar, as consequências internacionais já no primeiro dia são de aprofundamento dos conflitos. A extrema-direita na França adorou a vitória da xenofobia nos EUA. A esquerda em Cuba protagonizou um espetáculo ridículo de mobilização de tropas “para enfrentar ações do inimigo”, repetindo o nome e o método da operação “Bastião” executada quando Ronald Reagan foi eleito. O governo corrupto e violento do russo Vladimir Putin e a ditadura comunista do chinês Xi Jinping acenaram com felicitações e desejo de colaboração. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu responsável por uma política linha-dura e conflitiva no Oriente Médio, declarou-se um verdadeiro amigo dos EUA e ansioso para trabalhar em conjunto para ampliar a segurança na região. Ali Khamenei, aiatolá no Irã, disse que Trump não venceu por ter sido populista, mas por ter dito a verdade. Todos os autoritários do mundo se regozijaram pela vitória de um candidato xenófobo, misógino, boquirroto e fanfarrão nos EUA.

Entre todas as reações que vi, de diversos outros países, somente a chanceler alemã Angela Merkel deixou claro que a cooperação entre seu país e os EUA depende do respeito aos Direitos Humanos sem qualquer discriminação de raça, sexo ou religião. Rodrigo Duterte, presidente das Filipinas, significativamente sublinhou a importância do Estado de Direito nas relações entre os países. As demais reações foram predominantemente protocolares.

Eu poderia continuar longamente citando indícios e exemplos do embrutecimento generalizado refletido por estas eleições nos EUA e suas repercussões mundo afora, mas a própria confecção de uma lista mais extensa do que esta no fundo também seria um exercício de embrutecimento. Os sinais estão claros o suficiente: salvo alguma reviravolta espetacular e imprevisível, estamos trilhando um caminho de acirramento de posições políticas, sociais e econômicas extremistas, de aprofundamento de conflitos e de enfraquecimento do Estado de Direito, tendo como pano de fundo o desencanto com a política devido à insuportável corrupção e aos ultrajantes escárnios da classe política para com o senso de dignidade, a qualidade de vida e as esperanças do cidadão comum, que se embrutece cada vez mais, caindo na armadilha de uma espiral de intolerância crescente que retroalimenta e agrava os problemas que o exasperam.

As eleições presidenciais americanas de 2016 são apenas o reflexo deste conjunto de fenômenos. O que é assustador é que isso tenha chegado ao ponto de contaminar os dois partidos que dominam a política do país mais poderoso e influente do mundo, que podem deixar de representar valores republicanos e democráticos (sem trocadilho com o nome dos partidos) e capitanear o mundo inteiro a uma era obscurantista numa escala sem precedentes.

Se em um passado não muito remoto o século XVIII nos trouxe os incríveis avanços do iluminismo e ficou conhecido como “O Século das Luzes”, hoje precisamos fazer um imenso esforço para que o século XXI não nos traga um panorama político, econômico e social que fique conhecido como “A Segunda Idade das Trevas”.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/11/2016

A dieta paleolítica de baixo carboidrato é perigosa?

Volta e meia alguém me diz que a dieta que eu faço é “desequilibrada”, que vai me fazer mal e que eu preciso voltar a comer de acordo com os conselhos dos médicos, nutricionistas e educadores físicos que nos mandam reduzir a carne vermelha, evitar as gorduras saturadas, comer cereais integrais, óleos “saudáveis” de soja, canola, milho e girassol, substituir a manteiga por margarina e ingerir 60% das calorias na forma de carboidratos. Será?

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Eu passei 26 anos doente, obeso, deprimido, tive onze diverticulites, estava com uma indicação para colectomia, fiquei diabético, minha glicemia chegou a 195 num exame de doze horas em jejum e minha hemoglobina glicada estava em 9,8 (equivalente à glicemia média de 212), meus triglicerídeos estavam nas alturas, minha Proteína C Reativa estava em 0,63 (alto risco cardíaco) cheguei a ficar incapacitado para o trabalho por cerca de dois anos… E aí abandonei as orientações que os médicos, nutricionistas e educadores físicos me deram durante todo este tempo e me joguei em uma dieta paleolítica de baixo carboidrato radical, sem tomar medicamentos nem fazer exercícios, contra todos os conselhos de médicos, nutricionistas, educadores físicos, amigos e familiares.

Eu fiz exatamente o contrário do que recomendam os médicos, nutricionistas e educadores físicos: eliminei os cereais da minha vida, eliminei os óleos de soja, canola, milho e girassol, eliminei  a margarina, cortei quase completamente os carboidratos da minha dieta e passei a me entupir de carne vermelha gorda, cheia de gordura saturada, meia dúzia de ovos todos os dias, tudo assado ou frito na banha de porco, mais uma saladinha verde com óleo de oliva, meio tomate e meio limãozinho e eventualmente um punhado de nozes ou castanhas-do-Pará.

Resultado: emagreci 25 kg, curei minha depressão, nunca mais tive diverticulites (exceto nas duas únicas vezes em que furei a dieta e comi derivados do trigo), não fiz e não vou fazer a colectomia, minha glicemia está permanentemente entre 70 e 100, minha hemoglobina glicada despencou para menos de 5,5, meus triglicerídeos desabaram, minha Proteína C Reativa caiu a zero (baixíssimo risco cardíaco) e nunca estive tão bem de saúde, tanto que estou ótimo no trabalho e depois de tudo isso comecei até a fazer musculação.

Ah, sim… Meu colesterol total aumentou um pouquinho. Oh! Céus! Vou morrer a qualquer momento! 😛

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/09/2016

Uma coisa é pensar diferente, outra coisa é defender práticas criminosas

Os “esquerdinhas paz e amor” são um bando de estúpidos. Podem ser honestos, podem ser bem intencionados, mas na prática defendem uma ideologia criminosa que gera depravação moral, mediocridade cultural, falência econômica e autoritarismo político onde quer que assuma o controle. São, portanto, inimigos da paz, da justiça, da prosperidade e do bem estar humano, não importa que pensem que não são. 

Todo mundo mente - o PT é inocente

Eu escrevi o parágrafo acima no Facebook. Como era previsível, um dos meus amigos “esquerdinha paz e amor” veio dizer bobagem logo abaixo. Literalmente ele disse o seguinte:

“Quem pensa diferente de mim é bandido”
Cara, vira o disco. Aprende a argumentar decentemente.

Para quem ainda é ingênuo o suficiente para não perceber o que está por trás disso, eu esclareço: isso é idêntico ao Bandido da Luz Vermelha dizer para você “quem pensa diferente de mim é bandido”. Você daria atenção ao Bandido da Luz Vermelha defendendo sua posição com este argumento? Óbvio que não, certo? Então, por que raios você dá atenção aos Bandidos das Bandeiras Vermelhas quando eles defendem seus crimes exatamente desta maneira?

O argumento decente contra o Bandido da Luz Vermelha e os Bandidos das Bandeiras Vermelhas é exatamente o mesmo: cadeia. Você não dá credibilidade a quem defende abertamente a legalização do homicídio porque eles dizem que “pensam diferente”. Você não dá credibilidade a quem defende a implantação de ditaduras sanguinárias porque eles dizem que “pensam diferente”. Por que raios você dá credibilidade a quem defende a legalização e a implantação de tudo o que é imoral, indecente, desumano, maldoso e criminoso só porque eles dizem que “pensam diferente”?

Qual é o seu problema para entender que tudo o que a esquerda defende é pernicioso e sempre que foi implantado destruiu os ambientes em que foi implantado, causando depravação moral, mediocridade cultural, falência econômica e autoritarismo político, em qualquer momento da história desde a Revolução Francesa?

Veja o caso do PT.

Os amigos do PT e defensores da mesma ideologia são Cuba, que até pouco tempo atrás matava por fuzilamento quem pensava diferente ou tentava sair da ilha para não ser escravizado pelo governo “democrático” do esquerdista Fidel Castro; Venezuela, que está em crise humanitária por desabastecimento de comida e colapso econômico total devido ao governo “democrático” do esquerdista Nicolas Maduro; Coréia do Norte, onde há relatos de terríveis violações humanitárias, inclusive de canibalismo devido à fome extrema promovida pelo governo democrático do esquerdista Kim Jong-un, este copiosamente elogiado pelo PC do B, partido aliado do PT; Líbia, que foi dominada por quatro décadas pelo ditador esquerdista Muamar Kadafi, aquele que mantinha meninos e meninas como escravos sexuais e que Lula chamou de “meu amigo, meu irmão e meu líder”; e o Estado Islâmico, que degola inocentes em frente às câmeras de TV para fazer propaganda da Jihad e que Dilma disse que precisava ser tratado com “diálogo e diplomacia”.

E, quando o PT governou este país, implantou uma cultura abjeta de coitadismo, em que o maior mérito de uma pessoa é ser um “oprimido” incapaz e pedinte do governo, lançou o país na pior crise econômica de sua história, com anos seguidos de recessão, desemprego, quebradeira de empresas e até de cidades inteiras, conflitos por todos os lados, roubalheira desenfreada e autoritarismo intolerante com deboche e escárnio sobre as vítimas, acusadas de “não quererem perder seus privilégios” quando na verdade estavam sendo roubadas e humilhadas por um bando de ladrões e canalhas.

Qual é a sua dificuldade para entender que o PT é uma quadrilha criminosa? E que seus membros e seus aliados também são todos criminosos?

Qual é a sua dificuldade para entender que qualquer um que apoie quem apoia tudo isso ou é criminoso também ou é completamente estúpido e incapaz de fazer uma leitura minimamente realista, racional e ética da realidade?

A este ponto da história do país, se você ainda apoia o PT, se você ainda fala em “golpe”, se você ainda credita à “direita” os males pelos quais passa o Brasil e a crise moral, cultural, política e econômica que atravessamos, lamento muito, mas você ou é um criminoso, ou é um estúpido.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 06/09/2016

A evolução e a dieta dos médicos e nutricionistas

Muita gente se pergunta o que afinal deve comer para ter uma boa saúde. Este artigo responde isso de modo bem claro e objetivo, com base na evolução biológica humana, conhecimento que obviamente todo médico e todo nutricionista responsável e com boa formação científica domina com perfeição e sabe aplicar com maestria ao prescrever uma dieta saudável para um ser humano.

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P: Por que uma vaca deve comer grama e não carne?

R: Porque há mais de três milhões de anos todos os ancestrais das vacas comeram grama e não carne. Devido à seleção natural, ao longo de todo o período paleolítico, as proto-vacas que melhor digeriam e melhor metabolizavam grama tinham melhor saúde, vigor, capacidade reprodutiva e longevidade, deixaram maior número de descendentes férteis e com isso gradualmente as vacas foram se tornando mais capazes de digerir grama e não outros alimentos. É por isso que as vacas de hoje estão adaptadas a comer grama e não carne.

P: Por que um leão deve comer carne e não grama?

R: Porque há mais de três milhões de anos todos os ancestrais dos leões comeram carne e não grama. Devido à seleção natural, ao longo de todo o período paleolítico, os proto-leões que melhor digeriam e melhor metabolizavam carne tinham melhor saúde, vigor, capacidade reprodutiva e longevidade, deixaram maior número de descendentes férteis e com isso gradualmente os leões foram se tornando mais capazes de digerir carne e não outros alimentos. É por isso que os leões de hoje estão adaptados a comer carne e não grama.

P: Por que um ser humano comer cinco a nove porções de cereais, pães, tubérculos, raízes e massas, quatro a cinco porções de hortaliças, três a cinco porções de frutas, três porções de leite e derivados, uma porção de leguminosas e apenas uma ou duas porções de carnes e ovos por dia, mantendo ao mínimo o consumo de gorduras e sendo aceitável a mesma quantidade de açúcar, de preferência fazendo uma refeição a cada três horas, e não a maior quantidade possível de carne de caça, ovos, peixes e uma pequena quantidade de folhas verdes e frutinhas silvestres, fazendo o menor número de refeições possível por dia?

R: Porque há mais de três milhões de anos todos os ancestrais dos seres humanos consultavam médicos e nutricionistas que lhes diziam que comer de três em três horas de acordo com a pirâmide alimentar é que era saudável e não comer aquilo que estava disponível no ambiente selvagem de modo irregular e bastante espaçado. Devido à seleção natural, ao longo de todo o período paleolítico, os proto-humanos que melhor digeriam e melhor metabolizavam uma refeição a cada três horas com coisas como granola, pão integral, suflê de batata, macarrão à carbonara, tofu, peitinho de frango feito sem gordura no microondas, gelatina sabor abacaxi, duas bolachinhas recheadas e um suco de laranja geladinho tinham melhor saúde, vigor, capacidade reprodutiva e longevidade, deixaram maior número de descendentes férteis e com isso gradualmente os seres humanos foram se tornando mais capazes de digerir a inteligente dieta recomendada pelos médicos trogloditas e nutricionistas das cavernas e não outros alimentos. É por isso que os seres humanos de hoje estão adaptados a comer de três em três horas de acordo com a pirâmide alimentar e não o menor número de refeições possível por dia de acordo com aquilo que eu e outros irresponsáveis alucinados como eu recomendamos e que se chama dieta paleolítica de baixo carboidrato.

Hein?

Você acha que há algo errado com o raciocínio acima?

Não pode ser.

Os médicos e nutricionistas recomendam isso. É óbvio que, como estes profissionais são todos muito responsáveis e profundos conhecedores da biologia humana, o ser humano só pode ter evoluído comendo de três em três horas pão integral, granola, arroz e feijão, peitinho de frango feito sem gordura no microondas, suflê de batatas, gelatina sabor abacaxi e chazinho com adoçante para ajudar a fazer a digestão.

Você não acha que os médicos e nutricionistas seriam tão ignorantes sobre a biologia evolutiva humana a ponto de recomendarem uma dieta para a qual o ser humano não está adaptado, né? Afinal de contas, eles estudaram para isso! E são os responsáveis pela sua saúde!

Claro, se o ser humano tiver evoluído comendo algo diferente e você seguir o que os médicos e nutricionistas recomendam, então você pode acabar tão saudável quanto uma vaca alimentada com churrasco ou um leão alimentado com salada. Mas você não corre esse risco. Todo mundo sabe que já existia pão integral, tofu, gelatina sabor abacaxi e adoçante no paleolítico. Todo mundo sabe que médicos, nutricionistas, a indústria de alimentos e a indústria farmacêutica são absolutamente competentes, isentos de interesse financeiro e só pensam no que é melhor para a sua saúde. Pare de pensar bobagem.

Tire estas minhocas da cabeça e vá comer um pãozinho integral com margarina e um chazinho com sucralose.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 02/09/2016

Caminhões matam pessoas. Armas salvam vidas

Quando dizemos que veículos automotores matam muito mais do que armas de fogo, os desarmamentistas dizem que veículos automotores não devem ser proibidos porque não foram feitos para matar e armas de fogo devem ser proibidas porque foram feitas para matar. Desta vez, porém, um terrorista matou dezenas de pessoas e feriu centenas atropelando-as com um caminhão e foi parado a tiros com armas de fogo. O que dizem os desarmamentistas a respeito? Nada. Estão calados, fingindo que sua tese estúpida não foi pulverizada por aquele terrorista. Mas ela foi pulverizada. 

Caminhão crivado de balas

O terrorista do caminhão nos fez o favor de demonstrar – ao custo de algumas centenas de vidas destruídas – aquilo que, se não houvesse tanto macaco falante retardado no mundo, já deveria ser óbvio há muito tempo: não existe esse maniqueísmo ridículo inventado pelos desarmamentistas para sustentar sua tese estúpida. O uso de objetos não se prende a supostas finalidades definidas. Gente má usa veículos automotores para matar inocentes e gente boa usa armas de fogo para meter bala na cara de gente má que mata inocentes. E muito menos gente teria morrido se uma massa crítica de cidadãos honestos e adequadamente treinados estivesse armada naquele dia e metesse bala no caminhão assim que ele começasse a atropelar as pessoas.

Eu precisava fazer um registro do óbvio, para não deixar passar e em branco, e estava com saudade de chamar a tese desarmamentista de estúpida. Ambos os objetivos foram cumpridos. Have a nice day. Bang.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/07/2016 

OBS: é, eu não ando com muita paciência para me repetir.